Política

Copom eleva Selic a 15,25% e parcela da casa própria sobe R$ 487

Decisão desta semana do Banco Central encarece financiamentos imobiliários e pode frear o setor no trimestre. Entenda o impacto no seu bolso e o que esperar até dezembro.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Copom eleva Selic a 15,25% e parcela da casa própria sobe R$ 487

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na reunião desta semana, elevar a taxa Selic para 15,25% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes que havia levado os juros básicos a 13,75% em março. A medida, anunciada ontem, já começa a afetar o custo do crédito imobiliário: para um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos, a parcela média salta de R$ 3.842 para R$ 4.329, um acréscimo de R$ 487 por mês, segundo simulações da Abrainc com base nas taxas médias praticadas pelos bancos.

A decisão surpreendeu parte do mercado, que esperava manutenção dos juros. O comunicado oficial cita a aceleração da inflação de serviços e a desancoragem das expectativas para 2027 como justificativas. Para o setor imobiliário, o efeito é imediato: a Caixa Econômica Federal, maior agente do financiamento habitacional, já anunciou que repassará a alta às novas contratações a partir de 1º de setembro. Os bancos privados, por sua vez, devem ajustar as taxas nas próximas semanas, o que tende a reduzir o ritmo de lançamentos e vendas no último trimestre do ano.

A alta da Selic também impacta o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que financia parte das operações com recursos da poupança e do próprio fundo. Com juros maiores, o déficit do FGTS tende a aumentar, pressionando o governo a rever as regras do programa Casa Verde e Amarela. Especialistas ouvidos pela reportagem estimam que, se a Selic permanecer nesse patamar até dezembro, o número de financiamentos pode cair 15% no acumulado do ano, revertendo o crescimento de 8% registrado no primeiro semestre.

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) projeta que o volume total de financiamentos com recursos da poupança deve encolher 12% no terceiro trimestre. Já o Índice FipeZap, que acompanha os preços de imóveis em 50 cidades, registrou alta de 0,3% em julho, mas a tendência é de desaceleração nos próximos meses. "O crédito ficou mais caro e isso, inevitavelmente, reduz a demanda. Os preços podem até cair nas regiões que mais dependem de financiamento", afirma a economista-chefe da Secovi-SP, Patrícia Mota.

Para quem já tem contrato assinado, a alta da Selic não altera as parcelas, que são corrigidas pelo índice de reajuste contratual, geralmente o IPCA. No entanto, para novos financiamentos, a taxa média passou de 11,2% para 12,4% ao ano na última semana, segundo levantamento do Banco Central. Isso significa que, para cada R$ 100 mil financiados, o comprador pagará cerca de R$ 1.200 a mais por ano. Quem pode, vale a pena esperar a poeira baixar e acompanhar o próximo Copom, marcado para os dias 14 e 15 de setembro, quando o BC deve sinalizar se interrompe ou continua o ciclo de aperto.

A orientação dos especialistas é revisar o orçamento antes de comprar. Com a renda comprometida em até 30%, como recomenda a maioria dos bancos, um aumento de R$ 487 na parcela pode inviabilizar o sonho da casa própria. Por outro lado, quem possui recursos para dar uma entrada maior ou pagar à vista pode aproveitar eventuais oportunidades de negociação, já que construtoras devem oferecer descontos para manter o fluxo de vendas. O cenário é de incerteza, mas uma coisa é certa: o crédito imobiliário nunca esteve tão caro desde 2016.

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