Copom eleva Selic a 15,25% e parcela da casa própria sobe R$ 480
Decisão desta semana aperta o crédito imobiliário: em um ano, financiamento de R$ 500 mil fica R$ 480 mais caro por mês. Veja quem ainda consegue contratar.

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic para 15,25% ao ano na reunião desta semana, o terceiro aumento consecutivo em 2026. O impacto no bolso de quem financia um imóvel é imediato: para um crédito de R$ 500 mil em 35 anos, a parcela média salta de R$ 4.120 para R$ 4.600, alta de R$ 480 por mês. O cálculo considera o spread médio de 8,2% praticado pelos bancos no trimestre atual, segundo dados da Abrainc.
O movimento do Banco Central reflete a aceleração da inflação, que fechou julho em 5,9% no acumulado de 12 meses, pressionada pelos alimentos e pela energia. A autoridade monetária sinalizou que pode haver mais um ajuste na próxima reunião, em setembro, caso o IPCA de agosto venha acima do esperado. Para o setor imobiliário, o custo do funding — que depende em grande parte da poupança e do FGTS — tende a ficar mais caro, reduzindo a oferta de linhas com taxas prefixadas.
No mercado de crédito imobiliário, a taxa média contratada em julho foi de 11,8% ao ano, ante 10,9% em janeiro, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip). Com a Selic em alta, os bancos já começaram a repassar o aumento para as novas contratações. O financiamento pela Caixa Econômica Federal, que responde por 70% do mercado, passou a exigir entrada mínima de 25% para imóveis acima de R$ 1,5 milhão, uma mudança anunciada na semana passada.
O crédito imobiliário, que vinha em ritmo de recuperação no primeiro semestre, com R$ 98 bilhões financiados até junho, deve encerrar o ano com alta menor, estima o Secovi-SP. A projeção é de crescimento de 12% em 2026, abaixo dos 18% projetados em janeiro. Em São Paulo, a venda de imóveis novos caiu 8% em julho na comparação mensal, segundo o Sindicato da Habitação. Já no Rio de Janeiro, o Índice FipeZap mostrou estabilidade de preços, mas com negociações mais demoradas.
Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária alertam que o custo efetivo total (CET) de um financiamento pode chegar a 14,5% ao ano para quem não tem relacionamento com o banco. Para quem está pensando em comprar, a recomendação é negociar a taxa com pelo menos três instituições e considerar o uso do FGTS para reduzir o saldo devedor. Além disso, contratar agora, com a Selic em alta, pode ser ruim: se a inflação ceder no próximo ano, o Copom pode cortar os juros, e a parcela ficaria mais barata para quem esperar.
O cenário, no entanto, não é homogêneo. Programas como o Casa Verde e Amarela, que usam recursos do FGTS, seguem com taxas de 7,5% a 8,5% para famílias de baixa renda, e não foram afetados pela alta da Selic. Isso porque o financiamento é subsidiado pelo Tesouro. Mas para a classe média, que depende do mercado livre, a conta fica mais salgada. A tendência, no trimestre atual, é de migração para imóveis de menor valor e maior negociação de prazos.
O Banco Central, em seu Relatório de Inflação divulgado na manhã desta sexta-feira, manteve a projeção de Selic em 15,25% até o fim do ano, mas destacou que a política monetária dependerá da evolução das expectativas. Para o setor, o recado é claro: planeje-se. Quem já tem contrato assinado com taxa fixa está protegido; quem está em fase de pesquisa pode aguardar o próximo Copom para decidir, mas sem perder oportunidades de imóveis com preços ainda em patamares razoáveis.

