Copom eleva Selic a 14,75% e parcela do imóvel sobe R$ 410; veja saída
Na reunião desta semana, o Banco Central apertou o crédito imobiliário mais uma vez. Descubra quem ainda consegue financiar sem travar o orçamento e quais linhas ficaram mais caras.

O Banco Central confirmou, na reunião do Copom encerrada nesta quarta-feira (5), o que o mercado já esperava: a Selic subiu 0,5 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Para quem está financiando um imóvel, o impacto é imediato e direto — a parcela de um financiamento de R$ 500 mil, em 30 anos, fica cerca de R$ 410 mais cara por mês, segundo simulações da Abrainc divulgadas nesta quinta-feira (6).
O movimento é parte de um ciclo de aperto monetário que começou no trimestre passado, quando o Copom interrompeu os cortes da Selic e sinalizou que a inflação de serviços seguia resistente. No comunicado desta semana, o colegiado citou o repique dos preços de alimentos e a alta do dólar como justificativas para manter a dose. Para o setor imobiliário, o efeito colateral é o encarecimento do crédito, que já vinha desacelerando desde maio.
Na prática, o financiamento com recursos das cadernetas de poupança — o mais comum para imóveis de até R$ 1,5 milhão — fica limitado pela TR e pela taxa de juros que os bancos repassam. Com a Selic acima de 14%, vários bancos já subiram as taxas do crédito imobiliário em 0,3 a 0,5 ponto neste mês, conforme levantamento da Secovi-SP. Quem ainda tem contrato assinado com taxa prefixada conseguiu escapar, mas novas simulações já vêm com números mais salgados.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o comprador de primeira moradia é o mais atingido. Para quem depende de financiamento de 80% do valor do imóvel, a alta dos juros pode inviabilizar a compra em bairros de médio padrão. Por outro lado, o mercado de imóveis à vista — impulsionado por investidores com recursos próprios — segue aquecido, o que segura os preços em algumas regiões metropolitanas. O índice FipeZap de julho mostrou alta de 0,8% no preço médio dos imóveis, mas com forte dispersão entre bairros.
Uma saída que tem ganhado tração é o uso do FGTS para reduzir o saldo devedor ou amortizar parcelas. Com as novas regras do Fundo, em vigor desde o mês passado, o trabalhador pode usar até 30% do saldo para abater o financiamento, o que diminui o impacto dos juros compostos. Além disso, alguns bancos públicos ainda oferecem condições especiais para imóveis do programa Minha Casa Minha Vida, com taxas a partir de 9,5% ao ano — bem abaixo das taxas de mercado.
Para quem já tem um financiamento em andamento, a recomendação é revisar o contrato e avaliar a portabilidade. Com a Selic subindo, alguns bancos podem não repassar integralmente o aumento para contratos antigos, mas a diferença pode ser pequena. O importante é não travar o orçamento: especialistas sugerem que a parcela não ultrapasse 30% da renda familiar. E, se a ideia é comprar, talvez valha esperar o próximo Copom, já sinalizado para setembro — para ver se o ciclo de alta continua.
Enquanto isso, o mercado de aluguéis também reage. Com o crédito mais caro, parte da demanda migra para o aluguel, o que pressiona os preços — o índice de locação residencial da FipeZap subiu 1,2% em julho, acumulando 9,8% em 12 meses. Ou seja: mesmo quem adia a compra, acaba sentindo no bolso. A decisão do Copom desta semana, portanto, não afeta apenas quem assina um financiamento amanhã — ela reconfigura todo o mercado imobiliário nos próximos meses.


