Política

Copom eleva Selic a 13,5% e encarece financiamento imobiliário em R$ 580

Decisão desta semana amplia custo mensal da parcela de um imóvel de R$ 500 mil; entenda o impacto no FGTS e nos novos contratos.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Copom eleva Selic a 13,5% e encarece financiamento imobiliário em R$ 580

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic em 0,5 ponto percentual nesta semana, levando os juros básicos para 13,5% ao ano. A decisão, a segunda alta consecutiva neste semestre, reflete a pressão inflacionária e já repercute no setor imobiliário: para um financiamento de R$ 500 mil em 35 anos, a parcela mensal média subiu R$ 580, segundo simulações de associações do setor.

Com a Selic mais alta, os bancos tendem a repassar o aumento para as taxas de crédito imobiliário, que já vinham em trajetória de alta desde o início do ano. Dados da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) mostram que a taxa média de financiamento para pessoa física saltou de 10,8% para 11,4% ao ano entre janeiro e junho, antes do novo ajuste. Agora, a expectativa é de novas elevações nos próximos meses.

O impacto mais imediato está nos mutuários que contrataram financiamentos com taxa pós-fixada (TR + juros) — que respondem por cerca de 30% dos novos contratos, segundo o Banco Central. Para quem já tem contrato em andamento, a alta da Selic também afeta o custo efetivo do crédito, embora a maioria dos financiamentos imobiliários no país utilize a TR, que acompanha parcialmente a Selic.

Além do custo do crédito, a decisão do Copom pode influenciar a utilização do FGTS para compra de imóveis. Com juros mais altos, o Fundo de Garantia se torna uma alternativa ainda mais atrativa, já que as taxas para financiamento com recursos do FGTS são limitadas a 8,5% ao ano para a maior parte dos beneficiários. Especialistas, no entanto, alertam que o saldo do fundo é finito e que o aumento da demanda pode forçar o governo a revisar as regras de acesso.

Na visão de analistas, o ciclo de aperto monetário deve se estender até o final deste ano, com possibilidade de uma nova alta na reunião de setembro. Isso significa que quem está planejando comprar um imóvel pode enfrentar condições ainda mais desafiadoras nos próximos meses. Por outro lado, o aumento da Selic também eleva a rentabilidade de aplicações como o Tesouro Selic, o que pode desviar investidores do mercado imobiliário em busca de renda fixa.

Para o comprador de primeira moradia, a orientação é pesquisar bem as condições oferecidas pelos bancos, que têm autonomia para definir seus spreads. Algumas instituições já anunciaram linhas com taxas a partir de 10,2% ao ano para clientes com relacionamento, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). A dica é usar o FGTS como entrada e negociar a portabilidade do crédito após seis meses de contrato.

Enquanto isso, o setor de incorporação observa com cautela. As vendas de imóveis novos no segundo trimestre cresceram 4,2% em relação ao trimestre anterior, mas a alta dos juros pode frear esse ritmo no segundo semestre. A Secovi-SP, por exemplo, espera uma estabilização no lançamento de empreendimentos, com foco em produtos de médio e alto padrão, que são menos sensíveis ao crédito.

Diante desse cenário, a recomendação dos especialistas é que os potenciais compradores atentem para as condições de financiamento e avaliem se a compra é viável no momento. Uma alternativa é esperar a virada do ciclo de juros, que pode ocorrer no primeiro trimestre de 2027, segundo projeções de bancos como Itaú e Bradesco. No entanto, para quem tem pressa, a diferença de R$ 580 na parcela pode ser compensada por uma boa negociação no valor do imóvel.

#Copom#Selic#crédito imobiliário
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