Política

Congresso aprova faixa extra no Minha Casa Minha Vida: aluguel cai?

Nova faixa de renda de R$ 12 mil promete turbinar o programa, mas especialistas apontam risco de alta nos preços. Veja quem realmente ganha.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Congresso aprova faixa extra no Minha Casa Minha Vida: aluguel cai?

O Congresso Nacional aprovou nesta semana a ampliação do Minha Casa Minha Vida, criando uma nova faixa de renda familiar de até R$ 12 mil mensais. A medida, que ainda depende de sanção presidencial, visa atender a classe média emergente, mas já levanta debates sobre o impacto nos preços dos imóveis e no acesso à habitação.

Segundo dados da Abrainc, o programa deve injetar cerca de R$ 40 bilhões em novos financiamentos até o fim de 2027, com subsídios de até R$ 70 mil para as famílias na nova faixa. A expectativa é que 150 mil unidades sejam contratadas já no primeiro trimestre de 2027, gerando 300 mil empregos diretos e indiretos no setor da construção civil.

Porém, economistas do setor alertam que o aumento da demanda pode pressionar os preços dos imóveis, especialmente em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. O índice FipeZap de agosto já registrou alta de 0,8% no preço médio do metro quadrado, puxado por regiões com maior oferta de unidades do programa. 'A nova faixa é positiva, mas sem controle da oferta, o efeito pode ser o inverso: o benefício acaba embutido no preço', avalia a consultora imobiliária Marina Campos, da Brain Inteligência Estratégica.

A aprovação também reacendeu o debate sobre o subsídio cruzado, em que compradores de imóveis de maior valor ajudam a financiar os de menor renda. A nova faixa, no entanto, aumenta o teto para financiamento em até R$ 500 mil nas cidades com mais de 1 milhão de habitantes, o que pode deslocar a demanda de imóveis usados para novos, segundo a Secovi-SP.

Para o corretor paulistano Carlos Mota, a medida deve aquecer o mercado de médio padrão. 'Já recebi três clientes esta semana querendo usar a nova faixa. Eles estavam esperando essa aprovação para sair do aluguel', conta. No entanto, a Caixa Econômica Federal, principal agente do programa, informou que as condições operacionais só serão divulgadas após a sanção, prevista para setembro.

Enquanto isso, o mercado de aluguel já reage: plataformas como QuintoAndar registram queda de 2,3% no valor médio dos contratos novos em agosto, em cidades onde o programa tem forte presença. A tendência, segundo analistas, é que a nova faixa reduza a pressão sobre os aluguéis, mas o efeito só deve ser sentido plenamente em 2027.

A aprovação acontece em meio à queda da Selic, que fechou agosto em 11,25% ao ano, após o Copom cortar 0,5 ponto percentual na última reunião. Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária recomendam que famílias com renda até R$ 12 mil fiquem atentas às regras de financiamento, que devem incluir prazos maiores e juros abaixo do mercado. O importante é planejar a compra sem se endividar além do orçamento, aproveitando o momento de juros em queda.

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