Congresso amplia Minha Casa Minha Vida: renda até R$ 9.400 entra em 2026
Com votação relâmpago nesta quinta, nova faixa 3.5 do programa habitacional pode incluir 1,2 milhão de famílias e esquentar o mercado imobiliário de médio padrão.

O Congresso Nacional aprovou na madrugada desta quinta-feira (20) a ampliação das faixas de renda do Minha Casa Minha Vida (MCMV), com impacto direto no bolso de quem planeja comprar um imóvel neste segundo semestre. A principal novidade é a criação da faixa 3.5, destinada a famílias com renda bruta mensal de até R$ 9.400, que poderão financiar até R$ 500 mil com subsídio parcial e juros reduzidos. A medida, que tramitava em regime de urgência desde julho, foi sancionada nesta sexta-feira (21) pelo presidente da República, com vigência imediata.
Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o novo recorte deve injetar cerca de R$ 12 bilhões no setor até o fim de 2027, número calculado com base no histórico de contratações do programa e na demanda reprimida das classes médias urbanas. A expectativa é que 1,2 milhão de famílias se enquadrem na nova faixa, que abrange, por exemplo, um casal com renda total de R$ 9.000 e financiamento de R$ 420 mil para um apartamento de dois quartos na região metropolitana de São Paulo.
A mudança não veio sozinha: o texto aprovado também corrige as faixas 1, 2 e 3 em 6,4%, acima da inflação projetada pelo Banco Central para 2026, que está em 4,2% no último Relatório Focus. Com isso, a faixa 1, que atende famílias com renda de até R$ 2.640, passa a cobrir até R$ 2.808, ampliando o acesso ao subsídio integral em municípios com déficit habitacional crítico, como as capitais do Nordeste e as periferias de grandes centros.
Para o mercado, a decisão do Congresso chega em um momento de aquecimento. O índice FipeZap de agosto, divulgado nesta semana, aponta alta acumulada de 9,2% nos preços de imóveis nas 50 cidades monitoradas, puxada principalmente por unidades de até R$ 450 mil. A ampliação do MCMV deve pressionar ainda mais a demanda, e especialistas já alertam para a alta nos preços de imóveis usados em bairros como o Tatuapé (SP) e o Bairro Peixoto (BH), onde a oferta de imóveis nessa faixa é limitada.
A votação foi celebrada pelo setor imobiliário. Em nota, o Secovi-SP afirmou que a criação da nova faixa "destrava um gargalo histórico" e que o programa se consolida como o principal motor do financiamento habitacional no país. Por outro lado, economistas ligados ao Banco Central questionam o impacto fiscal: a renúncia estimada com subsídios e equalização de juros é de R$ 4,5 bilhões por ano, o que pode pressionar o orçamento de 2027, já que o governo precisará compensar a perda com novas linhas de crédito do FGTS ou do BNDES.
Se você está pensando em comprar um imóvel com financiamento, a recomendação neste momento é simular as condições com a nova faixa antes de fechar negócio. Bancos públicos e privados já estão atualizando suas tabelas, e a Caixa Econômica Federal, que responde por 80% dos contratos do MCMV, anunciou que começará a processar as novas propostas a partir da próxima segunda-feira (24). O prazo para quem já tem contrato assinado é uma dúvida ainda em aberto: a orientação inicial é que os contratos anteriores sejam preservados, mas beneficiários com renda acima da faixa antiga podem migrar para a nova condição.
A ampliação do Minha Casa Minha Vida é a maior mudança do programa desde 2023, quando as faixas foram reajustadas após um período de paralisação. Agora, com a renda máxima de R$ 9.400, o programa sai do nicho social e disputa a classe média com os financiamentos tradicionais, que hoje cobram taxas a partir de 10,5% ao ano. A diferença pode ultrapassar R$ 800 na parcela de um imóvel de R$ 400 mil, considerando o mesmo prazo. Fique atento: as condições variam conforme o município e o tipo de imóvel, e a disputa por imóveis na nova faixa deve ser acirrada nas próximas semanas.


