Câmara aprova Minha Casa Minha Vida com renda de R$ 12 mil: o que muda?
Nova faixa 3 amplia teto em 33% e pode incluir 2,1 milhões de famílias; entenda o impacto no seu bolso e no mercado imobiliário.

Nesta quarta-feira, 26 de agosto, a Câmara dos Deputados aprovou em segundo turno o projeto de lei que reformula o Minha Casa Minha Vida, elevando o teto da faixa 3 de R$ 9 mil para R$ 12 mil. A medida, que segue para sanção presidencial, promete reacender o setor imobiliário e ampliar o acesso à casa própria para a classe média emergente.
Segundo a Abrainc, o novo limite deve beneficiar cerca de 2,1 milhões de famílias que antes ficavam de fora do programa. O presidente da entidade, Luiz França, afirmou que a mudança é uma resposta à alta dos preços dos imóveis, que subiram 18% em 12 meses até julho, conforme o Índice FipeZap. "Sem esse ajuste, o programa perderia relevância para a renda média brasileira", comentou.
Mas o impacto não se restringe aos beneficiários. O mercado de imóveis de médio padrão, que vinha em ritmo lento em 2025, deve acelerar. Construtoras listadas na B3, como MRV e Cyrela, já anunciaram revisão de lançamentos direcionados a essa faixa. Especialistas do Secovi-SP projetam alta de 12% nas vendas de imóveis de até R$ 400 mil no próximo trimestre.
O texto também altera as regras de subsídio: famílias com renda até R$ 2.640 continuam com prioridade e podem receber descontos de até R$ 55 mil, valores atualizados pelo INCC. Já as faixas 2 e 3 terão juros de 8% a 9,5% ao ano, conforme a renda. "A proposta é boa, mas é preciso ficar de olho na inflação dos materiais, que segue em alta", alerta a economista do IBRE/FGV, Ana Paula Santos.
Para o comprador, a decisão significa mais poder de compra, mas também exige atenção: com o aumento da demanda, os preços podem subir ainda mais. A orientação é usar o FGTS e o financiamento dentro do novo limite, mas sempre comparando taxas entre bancos. O Banco Central já sinalizou que a Selic deve permanecer em 11% ao ano até o fim de 2026, o que mantém o custo do crédito elevado.
O projeto agora segue para o Senado, que já indicou prioridade na votação. Se aprovado sem vetos, a nova regra entra em vigor em até 60 dias. Enquanto isso, o mercado acompanha os movimentos do Congresso, que nesta semana também discute o FGTS futuro, outra frente que pode baratear o financiamento. Fique atento: as próximas semanas serão decisivas para quem planeja comprar um imóvel.


