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Boom imobiliário de Lisboa desaba 22% em 6 meses; Miami e Dubai seguem

Enquanto Lisboa vê preços despencarem, Miami e Dubai atingem recordes. Tóquio surpreende. Veja para onde o capital global está migrando agora.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Boom imobiliário de Lisboa desaba 22% em 6 meses; Miami e Dubai seguem

O mercado imobiliário global vive um momento de polarização extrema. Enquanto Lisboa amarga uma queda de 22% no preço médio dos imóveis nos últimos seis meses, Miami e Dubai celebram novos recordes históricos. Os dados, divulgados esta semana pelo índice global de preços imobiliários da consultoria Knight Frank, mostram que a correção em Portugal foi a mais acentuada entre as 45 cidades monitoradas no segundo trimestre de 2026.

Em Lisboa, o estouro da bolha que se formou entre 2021 e 2025 virou manchete. O preço médio do metro quadrado caiu de 7.850 euros para 6.120 euros entre fevereiro e julho deste ano. A crise de crédito na Europa, com a taxa básica do Banco Central Europeu ainda em 4,5% ao ano, e o fim dos vistos gold para investidores estrangeiros, que foi definitivamente encerrado pelo parlamento português em março, secaram a demanda. Incorporadoras locais, como a Fidelidade e a Casais, já anunciaram cortes de projetos novos na região metropolitana.

Enquanto isso, Miami e Dubai seguem em trajetória oposta. Nos Estados Unidos, o preço médio do metro quadrado em Miami subiu 18% no primeiro semestre de 2026, impulsionado pela migração de empresas de tecnologia e pela demanda de latino-americanos que buscam refúgio cambial. Já em Dubai, a valorização foi de 14% no mesmo período, puxada pela reforma de vistos de residência de longa duração e pela diversificação econômica do emirado, que agora negocia acordos bilaterais com o Brasil para facilitar investimentos mútuos em imóveis.

No Japão, Tóquio apresenta um comportamento singular: estabilidade com leve alta de 3% ao ano, sustentada pela política monetária ainda expansionista do Banco do Japão, que mantém juros negativos em -0,1%, e pela escassez de terrenos em áreas centrais. O governo japonês, no entanto, alertou para a sobrevalorização no segmento de escritórios, que acumula vacância de 12% no distrito financeiro de Marunouchi.

Para o investidor brasileiro, o cenário exige atenção. Com a Selic em 11,75% ao ano após o último Copom, realizado em agosto, o custo de oportunidade para aplicar no exterior aumentou. Mas especialistas da Anbima recomendam cautela: enquanto Lisboa oferece oportunidades de barganha, Miami e Dubai podem estar entrando em território de bolha. 'O investidor precisa separar o joio do trigo e olhar os fundamentos locais, como mercado de trabalho e oferta de crédito', afirma Maria Fernanda Cavalcanti, analista da consultoria imobiliária Cushman & Wakefield no Brasil.

Se você está pensando em internacionalizar seus investimentos, o momento é de pesquisa profunda. A diversificação geográfica continua sendo uma estratégia válida, mas os dados desta semana mostram que a máxima 'comprar barato, vender caro' nunca foi tão literal: a oportunidade de comprar em Lisboa com desconto pode ser real, mas exige paciência e uma visão de longo prazo. Já Miami e Dubai, apesar do otimismo, podem reservar surpresas para quem entrar sem proteção cambial e sem planejamento tributário. A dica é consultar um especialista em investimentos internacionais antes de assinar qualquer contrato.

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