Balneário Camboriú: 3 lançamentos de luxo que esgotaram em 48h
Em agosto de 2026, a cidade registra R$ 2,1 bi em vendas e setor aposta em torres com mansões suspensas. Veja por que o metro quadrado mais caro do país segue atraindo investidores.

Balneário Camboriú, o município com o metro quadrado mais caro do Brasil, vive um agosto de superlativos. Só nesta semana, três empreendimentos de alto padrão anunciaram vendas totalmente esgotadas em até 48 horas após o lançamento, segundo a Secovi-SC. No total, os empreendimentos somam R$ 1,2 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV), puxados por torres residenciais com mais de 60 andares e mansões suspensas.
Os números do trimestre atual impressionam: entre junho e agosto, foram lançadas 1.850 unidades na cidade, alta de 34% ante o mesmo período de 2025. A Abrainc aponta que Balneário respondeu por 12% de todos os lançamentos de alto padrão do país no segundo trimestre de 2026, superando bairros nobres do Rio e de São Paulo. Segundo o Secovi-SC, o preço médio do metro quadrado na orla da Avenida Atlântica atingiu R$ 18.500, contra R$ 15.900 em janeiro.
A onda de lançamentos tem relação direta com a taxa Selic, que o Copom manteve em 9,75% ao ano na reunião deste mês, após três cortes consecutivos. "O custo do financiamento para o comprador final caiu, e a renda fixa perdeu atratividade, o que empurra investidores para o concreto", explica Marina Colaço, analista da FipeZap. Ela destaca que a cidade atrai não só compradores das regiões Sul e Sudeste, mas também estrangeiros, principalmente argentinos e uruguaios, que buscam proteção patrimonial.
Um dos lançamentos que mais chama atenção é o edifício Yachthouse II, da FG Empreendimentos, que colocou à venda 214 unidades na última terça-feira. Em 36 horas, todas foram vendidas, com valores entre R$ 3,5 milhões e R$ 12 milhões. A construtora afirma que 60% das compras foram à vista, um sinal de liquidez no mercado. Outro destaque é o projeto Skyline One, da Pasqualotto & GT, que inovou ao incluir um heliponto privativo e garagem com acesso robotizado para até quatro carros por unidade.
Esse frenesi, no entanto, acende um alerta entre especialistas. O volume de lançamentos em Balneário Camboriú em 2026 já supera em 20% todo o ano de 2025, e há o risco de saturação em alguns nichos. "O comprador precisa avaliar a localização e o potencial de revenda, pois alguns bairros estão com alta oferta de estoque, o que pode pressionar os preços no médio prazo", adverte a analista da FipeZap. Dados da Abrainc mostram que, em bairros como Barra Sul, o prazo de venda dos imóveis prontos dobrou, passando de 4 para 8 meses.
Para quem quer entrar nesse mercado agora, a recomendação dos corretores locais é olhar para o vetor norte da cidade, como a Praia Brava e a divisa com Itapema. "Essas áreas ainda têm potencial de valorização de 25% a 30% até 2028, impulsionadas pela nova via expressa que deve ser entregue no primeiro semestre do próximo ano", afirma Ricardo Duarte, diretor da imobiliária Duarte & Cia. A dica: acompanhar os próximos lançamentos de incorporadoras como a Setin, que anunciou a compra de um terreno de 8.000 m² na região para uma torre comercial residencial.
Com a Selic estabilizada e a economia brasileira crescendo 2,8% no acumulado do ano, segundo o Banco Central, Balneário Camboriú segue como o principal palco dos lançamentos de luxo no país. Mas, como todo investimento, exige cautela e análise de dados. A boa notícia é que, para quem acertou a mão, os retornos têm sido generosos: unidades compradas na planta em 2023, por R$ 10 mil o metro quadrado, hoje são revendidas por até R$ 16 mil, uma valorização de 60% em três anos.


