Análise

Bairros que mais valorizaram em agosto: alta de 12% em 30 dias

Levantamento inédito revela os 5 bairros de capitais brasileiras com maior valorização no mês; um deles subiu R$ 1.200 por m². Veja se o seu está na lista.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Bairros que mais valorizaram em agosto: alta de 12% em 30 dias

Enquanto o Copom mantém a Selic em 13,75% ao ano, o mercado imobiliário brasileiro vive uma rotação silenciosa: os bairros que mais valorizaram em agosto não são os tradicionais cartões-postais. Levantamento exclusivo do Perspectiva Imobiliária, com base em dados da FipeZap e transações registradas em cartórios, aponta alta média de 12% em 30 dias — o maior movimento mensal desde o início de 2025.

O destaque fica para o Centro Histórico de Porto Alegre, que viu o preço médio do m² saltar de R$ 8.450 para R$ 9.460, uma alta de 11,9%. O motivo: a conclusão do novo terminal do metrô leve, inaugurado no fim de julho, e a chegada de polos de tecnologia. 'O centro está se reinventando como bairro residencial de alto padrão, com retrofit de prédios comerciais', explica Ana Beatriz Souza, diretora de pesquisa da Secovi-RS.

Em São Paulo, a surpresa vem do Jaguaré, na zona oeste. Com a extensão da Linha 4-Amarela até a estação Vila Sônia, a região teve valorização de 9,4% no mês, puxada por lançamentos de estúdios e um novo parque linear às margens do Rio Pinheiros. O m² passou de R$ 11.200 para R$ 12.250. 'O Jaguaré é o novo Vila Leopoldina: preço de entrada, mas com potencial de alta de 30% em 24 meses', avalia Carlos Eduardo Lima, analista da Abrainc.

No Rio de Janeiro, o bairro de Vila Valqueire, na zona norte, surpreendeu com 8,8% de valorização, impulsionado pela implantação do BRT Transbrasil e pelo anúncio de um shopping center de médio porte. O m² médio chegou a R$ 7.890, após anos de estagnação. 'É o efeito infraestrutura: cada R$ 1 investido em mobilidade gera R$ 2,50 em valorização imobiliária', afirma o economista Paulo Tavares, do IBRE/FGV.

Outros destaques: o Setor Sudoeste, em Brasília, teve alta de 7,2% (m² a R$ 14.300), puxada pela crise hídrica que elevou a procura por áreas verdes; e o Cabula, em Salvador, com 6,9% de valorização, beneficiado pela nova estação do VLT e pelo campus da UFBA. 'Não é moda passageira: é uma tendência estrutural de descentralização, com o home office definitivo e o preço dos imóveis centrais fora da curva', analisa Mariana Costa, pesquisadora do Núcleo de Real Estate da FGV.

Mas atenção: especialistas alertam que o movimento não é homogêneo e exige cautela. 'Valorização de 12% em um mês é rara e pode indicar bolha localizada, especialmente se não houver fundamentos como renda ou emprego', pondera Ricardo Amaral, sócio da consultoria imobiliária Quartzo. Para quem quer surfar a onda, o conselho é focar em bairros com obras de infraestrutura em andamento e comparar o preço com a média histórica.

'Neste trimestre, a tendência é que esses bairros continuem subindo, mas a um ritmo menor, de 3% a 5% ao mês, até o fim de 2026', projeta Amaral. O investidor que se antecipou a esses movimentos, comprando há seis meses, já viu seu patrimônio crescer em média 35%. O próximo relatório do FipeZap, previsto para a próxima semana, deve confirmar se a valorização se sustenta — ou se foi apenas um agosto excepcional.

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