Bairro de Dubai vende mansão por R$ 1,2 bilhão, recorde mundial
Imóvel em Jumeirah Bay quebrou a barreira do bilhão de reais e superou o recorde anterior em 20%. Entenda por que o luxo disparou no Oriente Médio neste semestre.

Nesta semana, o mercado imobiliário mundial registrou um feito inédito: uma mansão em Jumeirah Bay, em Dubai, foi vendida por US$ 220 milhões, cerca de R$ 1,2 bilhão, segundo a consultoria Knight Frank. O valor supera em 20% o recorde anterior, que era de um apartamento em Mônaco, fechado em março deste ano. É a primeira vez que uma propriedade residencial ultrapassa a marca de US$ 200 milhões fora de Hong Kong ou Mônaco.
A negociação foi concluída na última terça-feira, com pagamento à vista via criptomoeda, segundo fontes ligadas ao negócio. A mansão tem 3.500 metros quadrados, 12 suítes, heliponto e um píer privativo para superiates. O comprador é um sheik da família real do Catar, que já possui outros dois imóveis no mesmo bairro. O vendedor, um incorporador britânico, comprou o terreno em 2019 por US$ 12 milhões e investiu US$ 40 milhões na construção.
Dubai se consolidou como o mercado de luxo mais aquecido do mundo neste ano. Dados do portal Property Monitor mostram que, no primeiro semestre, as vendas de imóveis acima de US$ 10 milhões cresceram 45% em relação ao mesmo período de 2025. A cidade atraiu bilionários de todo o mundo, impulsionada pela isenção de impostos, pela segurança jurídica e pela nova lei de visto dourado, que dá residência vitalícia para quem investe mais de US$ 2 milhões no país.
O recorde também chama atenção para a disparada dos preços na região. No trimestre atual, o metro quadrado em Jumeirah Bay chegou a US$ 35 mil, mais que o dobro do valor registrado em 2024. A demanda supera a oferta: são apenas 42 lotes privativos no bairro, todos ocupados. A próxima entrega, um edifício de ultra-luxo chamado 'Palácio do Horizonte', com 18 unidades, tem fila de espera de mais de 200 interessados.
Para o Brasil, o movimento serve de termômetro para investidores locais. Segundo a Abrainc, o mercado de alto padrão brasileiro deve crescer 12% neste ano, mas ainda está distante dos patamares de Dubai. 'Lá, o comprador vê o imóvel como um ativo global, com liquidez imediata. Aqui, o custo do dinheiro e a burocracia ainda inibem grandes negócios', avalia Paula Becker, economista-chefe da Secovi-SP.
Enquanto isso, a mansão recorde virou atração até para quem não tem bilhões: o corretor responsável, da agência Beauchamp Estates, afirmou à reportagem que recebeu mais de 300 ligações de curiosos. Muitos queriam apenas tirar fotos da fachada. A casa, de fachada em vidro e pedra calcária, já apareceu em pelo menos três revistas de arquitetura, consolidando o eterno fascínio humano pelos imóveis impossíveis.
Para quem quer seguir a tendência sem precisar de US$ 220 milhões, especialistas ouvidos pela reportagem recomendam observar cidades secundárias dos Emirados, como Abu Dhabi e Ras Al Khaimah, onde os preços ainda são 40% menores. Mas é bom agir rápido: com a visibilidade do recorde, a procura por essas regiões já cresceu 30% no último mês.


