Apostador de Goiânia acerta prêmio de R$ 92 milhões e compra 3 casas no interior
Ganhador da Mega-Sena da Virada em Goiânia investe em imóveis para alugar e doa parte para igreja. Saiba como ele pretende administrar a fortuna.

Na manhã desta quarta-feira (19), o mundo dos investimentos imobiliários em Goiânia ganhou um novo e improvável protagonista: um pedreiro de 54 anos, morador do setor Jardim América, que acertou sozinho as seis dezenas da Mega-Sena da Virada, sorteada no último dia 31 de dezembro. O prêmio de R$ 92,3 milhões, o maior já pago na história da loteria federal, transformou a vida de seu Antônio Carlos da Silva, que até então dividia um aluguel de R$ 1.200 com mais três pessoas.
Segundo a Caixa Econômica Federal, o sorteio de fim de ano teve uma arrecadação recorde de R$ 2,3 bilhões, e o prêmio principal saiu para uma única aposta feita em uma lotérica no centro de Goiânia. Procurado pela reportagem do Perspectiva Imobiliária, Antônio contou que, ao saber da notícia, passou mal e só conseguiu processar a mudança de vida depois de três dias. "Eu sempre sonhei em dar uma casa para minha mãe, mas nunca imaginei que isso viraria uma questão de investimento", disse ele, visivelmente emocionado.
Nesta semana, o novo milionário já colocou em prática seu plano de investimento: comprou à vista três casas em condomínios fechados em Goiânia e Aparecida de Goiânia, totalizando R$ 4,7 milhões. Duas delas serão destinadas ao aluguel, com expectativa de rendimento mensal de R$ 28 mil, e a terceira será reformada para abrigar sua mãe de 78 anos. "O mercado imobiliário na região está aquecido, com alta de 12% no preço do metro quadrado nos últimos 12 meses, segundo o Secovi-Go. Ele fez um bom negócio", avalia a corretora Carla Menezes, que intermediou as compras.
Especialistas ouvidos pela reportagem recomendam cautela na administração de prêmios milionários. "É essencial diversificar os investimentos, não concentrar tudo em imóveis, e buscar assessoria financeira profissional", alerta o planejador financeiro Ricardo Tavares, da planejadora parceira da Anbima. Antônio, no entanto, já demonstra ter os pés no chão: além dos imóveis, ele aplicou R$ 60 milhões em títulos públicos e fundos imobiliários, e doou R$ 5 milhões para uma instituição de caridade local. "Quero que meu neto estude numa boa escola e que minha família nunca passe necessidade", afirma.
A história de Antônio reacende o debate sobre a relação entre loteria e imóveis. Segundo dados da Caixa, cerca de 35% dos ganhadores da Mega-Sena da Virada investem parte do prêmio em imóveis nos primeiros três meses. No caso dele, a preferência foi por casas em condomínios horizontais, que estão em alta na região metropolitana de Goiânia, com lançamentos focados em lazer e segurança. "O perfil mudou: o ganhador de hoje pensa em renda passiva, não apenas em moradia", comenta o economista da FGV, João Paulo Costa.
Para quem sonha em repetir a façanha, o próximo concurso da Mega-Sena está acumulado em R$ 120 milhões, com sorteio no sábado (22). Mas, como alerta Antônio, "dinheiro fácil exige cabeça boa. O que muda a vida não é o prêmio, é o que você faz com ele". Uma lição que, no mercado imobiliário, vale tanto para milionários quanto para quem está começando.


