Aluguel por temporada sobe 18% em julho e rende 3x o aluguel fixo
Dados do Secovi-SP mostram que diárias em capitais litorâneas dispararam no inverno; veja como migrar seu imóvel e lucrar mais já nesta temporada.

O mercado de locação por temporada no Brasil vive um momento de forte aquecimento. Dados do Secovi-SP divulgados nesta semana mostram que o valor médio das diárias em capitais litorâneas subiu 18% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Enquanto isso, o aluguel tradicional de longo prazo registrou alta modesta de 0,8% no trimestre, segundo o Índice FipeZAP de Locação.
A diferença de rendimento é o que mais chama a atenção. Com uma diária média de R$ 420 em imóveis de dois quartos em Florianópolis, um proprietário pode faturar até R$ 12,6 mil no mês de alta temporada, contra um aluguel fixo de cerca de R$ 4 mil. Ou seja, a temporada rende mais de três vezes o valor do contrato tradicional, mesmo descontadas as despesas com limpeza, energia e taxa das plataformas.
O comportamento do consumidor também mudou. Pesquisa da Associação Brasileira de Aluguel por Temporada (ABAT) indica que 62% dos viajantes brasileiros preferem imóveis com wi-fi de alta velocidade e espaço para trabalho, já que o modelo híbrido de trabalho remoto permitiu que muitos estendessem as viagens. Esse público fica, em média, 12 noites, quase o dobro do período registrado em 2024.
Para o investidor, a hora de migrar pode ser agora. O Copom desta semana manteve a Selic em 12,75%, o que ainda torna o financiamento caro, mas a alta dos juros reais tende a valorizar o aluguel por temporada, já que muitos turistas optam por locação em vez de compra. Segundo o Banco Central, o crédito imobiliário cresceu 4% no semestre, mas a procura por imóveis para temporada aumentou 23%, conforme dados da plataforma VivaReal.
Quem quiser entrar nesse mercado deve ficar atento às regras municipais. Em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, a legislação exige cadastro na prefeitura e o pagamento de ISS. Além disso, a alta demanda por imóveis com nota 4,8 ou mais nas plataformas valoriza a avaliação do imóvel, segundo especialistas da Secovi. O retorno pode ser até 25% maior na revenda, porque o imóvel já vem mobiliado e com infraestrutura de internet e automação.
A tendência é que o movimento se intensifique no verão. As reservas para dezembro já estão 35% acima do mesmo período do ano passado, puxadas por destinos como Nordeste e Serra Gaúcha. Se você tem um imóvel parado, esta pode ser a melhor hora para testar o modelo de temporada sem abrir mão da renda fixa: uma pesquisa rápida nas plataformas mostra que a ocupação média dos imóveis de temporada em agosto chega a 78%, contra 62% do ano passado.
A recomendação dos especialistas é iniciar com um contrato de três meses temporário e avaliar a rentabilidade no período de baixa. Mas atenção: a concorrência também aumentou. Imóveis com fotos profissionais e descrição em inglês têm 40% mais chance de reserva, segundo estudo da Airbnb divulgado em junho. Portanto, caprichar no anúncio pode ser o diferencial entre um imóvel vazio e um lucro extra de R$ 8 mil por mês.


