Aluguel por temporada: renda sobe 35% em agosto, mas 3 capitais travam
Diárias em Florianópolis, Fortaleza e São Paulo disparam enquanto legalização de imóveis vira dor de cabeça; veja onde o retorno ainda compensa.

O mercado de aluguel por temporada vive um de seus melhores meses do ano, com a renda média dos imóveis anunciados em plataformas digitais subindo 35% em agosto ante julho, segundo levantamento do Secovi-SP divulgado nesta semana. O impulso vem da alta temporada de inverno no Sul e do calendário de eventos corporativos em capitais como São Paulo, mas nem todas as regiões comemoram: três capitais enfrentam gargalos regulatórios que travam novos contratos e assustam investidores.
Em Florianópolis, a ocupação média dos imóveis temporada nesta semana atingiu 87%, a maior desde o verão de 2024, puxada pelas férias escolares de meio de ano e pelo festival gastronômico que ocorre até domingo. A diária média subiu para R$ 720, alta de 28% em relação ao mesmo período do ano passado. O retorno bruto anualizado sobre o valor do imóvel chega a 8,4%, segundo dados da plataforma Alugue Temporada, compilados pela Abrainc nesta quarta-feira. O número supera a rentabilidade de papéis de renda fixa atrelados à Selic, que está em 11,75% ao ano após a última decisão do Copom, mas com risco e trabalho de gestão bem maiores.
Fortaleza também vive momento de ouro, com a diária média em R$ 410 e ocupação de 78% na primeira quinzena de agosto, impulsionada pelo turismo de sol e praia e pela realização de um congresso internacional de tecnologia na semana passada. O retorno anualizado está em 9,2%, um dos maiores do país. No entanto, a capital cearense aprovou no mês passado uma lei que exige cadastro municipal de imóveis de temporada, e o prazo para regularização termina em 30 de setembro. Proprietários que não se cadastrarem podem pagar multa de até R$ 15 mil. A medida pegou muitos investidores de surpresa e gerou filas na Secretaria de Urbanismo, que relatou mais de 2 mil solicitações só na primeira semana de agosto.
Em São Paulo, o aluguel de curta duração cresceu 22% no trimestre atual, mas a prefeitura estuda criar uma taxa de turismo por noite, similar à cobrada em cidades como Nova York. A proposta, que está em consulta pública até o fim do mês, prevê uma taxa de R$ 12 por diária em imóveis inteiros. Se aprovada, pode reduzir a atratividade de bairros como Vila Mariana e Pinheiros, onde o preço médio de locação por temporada já é de R$ 350 por noite, segundo dados da FipeZap divulgados nesta terça-feira.
Outro ponto de atenção é a tributação. A Receita Federal ampliou, em julho, a fiscalização sobre rendimentos de aluguel por temporada recebidos via plataformas digitais. Quem não declara pode levar multa de 50% sobre o valor omitido. Especialistas recomendam formalizar o uso do imóvel como atividade de hospedagem, o que permite deduzir despesas e, em alguns casos, pagar menos imposto do que como pessoa física. Mas a burocracia ainda assusta: em pesquisa do Secovi com 1,2 mil proprietários neste mês, 61% afirmaram não saber que precisam emitir nota fiscal para a plataforma.
Para quem está pensando em entrar nesse mercado, a dica é focar em cidades com demanda pulverizada e regras claras. Curitiba, por exemplo, registrou alta de 30% na ocupação em agosto, sem novas restrições, e tem diária média de R$ 260 com retorno anualizado de 7,8%. Já cidades menores, como Campos do Jordão (SP) e Gramado (RS), seguem com as melhores rentabilidades, mas com forte oscilação sazonal. O importante é calcular não só a renda bruta, mas o custo de gestão, limpeza e manutenção, que em temporada pode consumir até 25% do faturamento.
Enquanto as regras não se consolidam, o aluguel de temporada segue como uma das opções mais rentáveis da renda imobiliária, mas exige atenção redobrada à letra fina. Acompanhe as próximas semanas: a votação da taxa em São Paulo e o prazo de cadastro em Fortaleza devem mexer com os números do trimestre.


