Aluguel por temporada explode 38% em agosto; veja as 5 cidades que mais pagam
Dados do Secovi mostram que o aluguel de temporada superou o contrato tradicional pela primeira vez em 2026. Descubra onde o retorno mensal chega a R$ 9.500 e como aproveitar a janela de alta demanda.

O mercado de locação por temporada vive um momento histórico. Dados divulgados nesta semana pelo Secovi-SP mostram que o aluguel de temporada cresceu 38% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado, impulsionado pelo turismo de negócios e pelo aumento das diárias em cidades médias. Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2018, a rentabilidade média por metro quadrado da locação temporária superou a dos contratos tradicionais de longo prazo.
O movimento é ainda mais forte nas capitais do Nordeste e em cidades universitárias. Em Fortaleza, a diária média de um apartamento de dois quartos saltou de R$ 280 para R$ 390 em apenas três meses. Já em Campinas, o retorno mensal de um imóvel mobiliado alugado por temporada chega a R$ 9.500, contra uma média de R$ 3.200 nos contratos convencionais, segundo levantamento da Abrainc. O resultado é atraente para investidores que compraram imóveis na planta nos últimos anos e agora recebem as chaves.
A alta não é pontual. No trimestre atual, o índice FipeZap de locação acumula elevação de 6,2% para contratos curtos, enquanto o IPCA projetado para o ano fica em torno de 4,5%. Especialistas apontam que a combinação de juros ainda elevados — o Copom manteve a Selic em 11,75% na última reunião de julho — e a recuperação do turismo corporativo têm empurrado a demanda para estadias menores. "O investidor percebeu que, com a Selic nesse patamar, o aluguel por temporada oferece retorno superior ao Tesouro Direto, mas exige gestão ativa", afirma a economista Marina Tavares, que acompanha o setor.
Porém, a oportunidade vem com riscos. A vacância entre um hóspede e outro é o principal vilão do rendimento. Em agosto, a taxa média de ocupação dos imóveis de temporada ficou em 78%, segundo dados da plataforma Alugue Fácil, mas em algumas regiões, como o ABC paulista, o índice cai para 60%. Para mitigar o problema, muitos proprietários estão migrando para plataformas de gestão integrada por IA, que ajustam preços em tempo real e reduzem o período de desocupação para menos de 5 dias.
As cinco cidades que mais pagam ao investidor neste mês são: Fortaleza, com retorno médio de R$ 8.200/mês; Campinas, com R$ 9.500; Balneário Camboriú, com R$ 7.900; São Paulo, com R$ 7.500; e Brasília, com R$ 6.800, considerando imóveis de 2 a 3 dormitórios. Os valores foram compilados pelo Secovi e consideram a média de diárias e a ocupação dos últimos 30 dias. A capital paulista surpreende pela demanda de executivos em projetos de curta duração.
Para quem quer entrar nesse mercado, a recomendação dos especialistas é focar em imóveis já mobiliados e com boa localização próxima a centros empresariais ou polos turísticos. "A locação por temporada não é passiva: exige dedicação ou o uso de uma boa administradora. Mas, com a taxa de ocupação atual, o retorno pode ser 50% maior que o aluguel tradicional", conclui Tavares. O dado consolidado de agosto será divulgado no início de setembro, e a tendência é de manutenção da alta no último trimestre.


