Aluguel por temporada dispara 38% em julho e bate recorde no Brasil
Dados do Secovi-SP mostram que a locação de curta duração nas capitais superou o aluguel tradicional pela primeira vez. Veja os bairros que mais atraem investidores.

O mercado de locação por temporada no Brasil atingiu um novo recorde em julho, com alta de 38% na demanda em comparação ao mesmo mês do ano passado, segundo levantamento do Secovi-SP divulgado nesta semana. O crescimento é puxado pela combinação de turismo doméstico aquecido e pela nova regulamentação da atividade no Congresso, que deu mais segurança jurídica aos proprietários.
Segundo o Índice FipeZap de Locação, o aluguel tradicional subiu 0,9% em julho, acumulando 11,2% em 12 meses. Já a plataforma brasileira de locação por temporada AlugueTemporada registrou um avanço de 42% no número de hospedagens ativas no segundo trimestre. O ticket médio das diárias nas capitais ficou em R$ 298, alta de 19% sobre o mesmo período de 2025.
Os destinos mais procurados neste inverno foram as praias do Nordeste e as cidades serranas do Sul e Sudeste. Em Florianópolis, a ocupação média atingiu 91% em julho, enquanto em Campos do Jordão chegou a 86%. O boom também é notado pelo Banco Central, que reportou um aumento de 27% nas transações com cartões de turismo no trimestre atual em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para o investidor, a rentabilidade da locação por temporada tem superado a do aluguel tradicional em até 45%, considerando imóveis mobiliados em regiões turísticas. No entanto, especialistas alertam para a sazonalidade e a necessidade de gestão ativa. "Falamos em renda, mas é preciso considerar meses de vacância e custos com manutenção", diz a analista da consultoria Imobiliária Brasil, Mariana Costa.
A nova lei aprovada em maio deste ano, que regulamenta a locação por temporada com regras claras para cancelamento e cobrança de taxas, já é apontada como o principal fator de confiança para o crescimento do setor. Em entrevista ao Perspectiva Imobiliária, o presidente da Abrainc afirmou que a tendência é de consolidação do modelo como uma alternativa sólida de investimento.
Para quem quer entrar nesse mercado, a recomendação é começar por imóveis em áreas com alta demanda turística, mas também considerar cidades médias com eventos corporativos e festivais. "O segredo é diversificar entre destinos de sol e praia e de negócios", completa o diretor de uma das maiores administradoras de aluguel por temporada do país, que viu o faturamento dobrar no último ano.
Com a Selic estável em 10,5% após o último Copom, a renda extra do aluguel por temporada se torna ainda mais atraente para investidores que buscam retorno acima da renda fixa. A expectativa do mercado é que o crescimento continue no segundo semestre, impulsionado pela alta temporada de verão e pela volta de grandes eventos internacionais ao Brasil.


