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Aluguel por temporada dispara 37% no litoral de SP e surpreende donos de imóveis

Com a alta da diária média e ocupação recorde em julho, investidores que apostaram no aluguel de curta duração colhem retornos 2x maiores que o aluguel tradicional. Veja os números.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Aluguel por temporada dispara 37% no litoral de SP e surpreende donos de imóveis

O mercado de locação por temporada no Brasil está vivendo um momento de ouro. Dados do Secovi-SP divulgados nesta semana mostram que a procura por imóveis de temporada no litoral paulista cresceu 37% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado. A diária média nas praias do litoral norte, como Maresias e Ilhabela, saltou para R$ 890, uma alta de 22% em 12 meses, puxada pela combinação de inflação turística e escassez de oferta.

O movimento não é isolado. Segundo a plataforma de aluguel por temporada Vibe, que reúne mais de 120 mil imóveis no Brasil, o volume de reservas no mês de julho deste ano foi o maior da série histórica da empresa, com taxa de ocupação média de 81% nas capitais do Nordeste — em Fortaleza, o índice chegou a 89%. “O turista brasileiro está priorizando viagens domésticas e buscando imóveis inteiros para evitar aglomerações. Isso elevou a diária e a ocupação”, afirma a economista-chefe da Vibe, Renata Gouvêa.

Para quem investe em imóveis, o número que importa é o retorno. Um levantamento recente do portal Loft, cruzando dados de 15 capitais, mostra que o aluguel por temporada rendeu, em média, 0,61% ao mês sobre o valor do imóvel nos últimos 12 meses, ante 0,33% do aluguel tradicional. Ou seja, quase o dobro da rentabilidade. Em bairros nobres do Rio, como Leblon e Ipanema, a diária média superou R$ 1.500 em julho, com ocupação acima de 90%.

Parte desse fôlego vem do comportamento do câmbio. Com o dólar oscilando acima de R$ 6,10 nesta semana, o turista estrangeiro voltou a procurar o Brasil como destino mais barato. “Cidades como Paraty e Trancoso registraram aumento de 45% nas reservas de estrangeiros em relação ao mesmo período de 2025”, destaca o relatório da plataforma Vibe.

Enquanto isso, o crédito imobiliário segue em ritmo moderado. O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (6) que a taxa média das novas contratações de financiamento imobiliário com recursos da poupança ficou em 11,2% ao ano, praticamente estável desde o último Copom, que manteve a Selic em 12,25%. Esse cenário mantém a compra de imóveis para renda como um dos poucos investimentos com retorno acima da inflação projetada para 2026, de 4,8%.

Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária recomendam atenção à regulamentação. Cidades como São Paulo e Florianópolis avançam com regras mais rígidas para o aluguel por temporada, como cadastro obrigatório e limite de diárias. “O investidor precisa calcular o retorno não só com a ocupação, mas também com o risco de mudança de regra. Em Curitiba, uma proposta em discussão na Câmara pode limitar a 30 dias o período máximo de locação por temporada em áreas residenciais”, alerta o advogado imobiliário Pedro Sampaio.

Mesmo com os desafios, a tendência é de continuidade do crescimento. A projeção da Associação Brasileira de Locação por Temporada (Abrat) é que o setor movimente R$ 8,2 bilhões em 2026, um crescimento de 24% sobre o ano passado. Para quem tem um imóvel parado ou pensa em adquirir um para investir, os dados desta semana indicam que o aluguel de curta duração deixou de ser alternativa e virou protagonista no mercado de renda imobiliária.

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