Aluguel por temporada dispara 34% no litoral de SP; veja os bairros que mais lucram
Dados do Secovi-SP mostram que diárias em Guarujá e Ubatuba subiram até R$ 120 em agosto; saiba onde o retorno supera o aluguel tradicional.

O mercado de locação por temporada no Brasil vive um momento de ebulição. Segundo dados divulgados esta semana pelo Secovi-SP, as diárias no litoral paulista subiram, em média, 34% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025. Em Guarujá, a diária média de um apartamento de dois quartos chegou a R$ 480, enquanto em Ubatuba o valor atingiu R$ 350. A alta é puxada pela valorização dos imóveis mobiliados e pela demanda reprimida de turistas estrangeiros, que voltaram a viajar ao Brasil em ritmo pré-pandemia.
O comportamento do mercado mudou: a temporada não se restringe mais ao verão. Este mês, mesmo fora de alta estação, a ocupação média de imóveis por temporada no Rio de Janeiro ficou em 78%, segundo a Associação Brasileira de Aluguel por Temporada (ABAT). O feriado prolongado de 7 de setembro e o réveillon antecipado nas reservas já movimentam as plataformas digitais. A Airbnb, por exemplo, registrou um crescimento de 22% nas buscas por destinos brasileiros para dezembro, puxado por estrangeiros dos EUA e da Europa.
Para o investidor, o aluguel por temporada tem se tornado mais lucrativo que o contrato tradicional. Números da FipeZap mostram que, no acumulado de 2026, o rendimento médio da locação temporária em capitais como São Paulo e Florianópolis alcançou 11,2% ao ano, contra 6,8% do aluguel residencial de longo prazo. Porém, a gestão é mais intensiva: a taxa de ocupação média no país, segundo a ABAT, gira em torno de 63%, exigindo estratégias de precificação dinâmica e boa avaliação dos hóspedes.
A alta da Selic, que o Copom elevou para 13,5% ao ano em sua última reunião, em julho, também influencia esse movimento. Com o financiamento imobiliário mais caro, muitos investidores estão migrando de contratos de longo prazo para a temporada, pois o retorno mais rápido ajuda a cobrir a parcela do imóvel. "Quem comprou na planta em 2024 e recebeu as chaves neste semestre está preferindo o aluguel por temporada, que paga até 70% a mais por mês", afirma a economista da Abrainc, Marina Salles, em relatório divulgado nesta semana.
As cidades que mais se destacam no trimestre atual são as do litoral nordestino, com destaque para Porto de Galinhas e Trancoso, onde a diária média para imóveis de alto padrão ultrapassou os R$ 2 mil. No Sul, Gramado e Balneário Camboriú seguem em alta, impulsionados pelo turismo de inverno e por eventos corporativos. Já no interior de São Paulo, cidades como Campos do Jordão e Serra Negra registram alta de 18% nas reservas para setembro, segundo o Secovi.
Para quem quer entrar nesse mercado, os especialistas recomendam atenção à legislação municipal. Neste mês, o projeto de lei que regulamenta o aluguel por temporada em São Paulo foi aprovado em primeira votação na Câmara, exigindo cadastro municipal e taxa de fiscalização. A medida, que deve ser votada em setembro, pode afetar a rentabilidade dos imóveis na capital. "Quem não se planejar pode ter surpresa no bolso", alerta o advogado especialista em direito imobiliário, Carlos Mello.
Em resumo, a locação por temporada se consolidou como uma alternativa viável e lucrativa para o investidor que busca renda imediata. Mas exige profissionalização: é preciso monitorar a concorrência, investir em fotos de qualidade e manter o imóvel impecável. As oportunidades estão nos bairros que combinam demanda turística e pouco estoque, como a Vila Madalena, em São Paulo, e a Praia do Canto, em Vitória. O segredo é agir agora, antes que a regulamentação e a concorrência apertem as margens.


