Aluguel por temporada dispara 32%: os bairros que dominam o verão 2026
Com Selic a 11,75%, investidores migram para locação de curta duração. Dados do 2º trimestre mostram que bairros como Perdizes e Vila Mariana lideram a alta, com diárias até 40% maiores que o aluguel tradicional.

A locação por temporada no Brasil vive um momento de ebulição. Dados do Secovi-SP divulgados esta semana mostram que os contratos de curta duração (até 90 dias) cresceram 32% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. A expansão é puxada pela combinação de juros ainda elevados — a Selic está em 11,75% após o último Copom — e pela retomada do turismo doméstico, que já superou os níveis pré-pandemia em 12%.
O mercado está sendo alimentado por dois vetores opostos: enquanto o financiamento imobiliário segue caro (a taxa média de crédito imobiliário está em 12,4% a.a., segundo o Banco Central), o aluguel tradicional cresceu apenas 4,1% nos últimos 12 meses, segundo o índice FipeZap. Essa diferença de rentabilidade está empurrando investidores que compraram imóveis nos últimos anos a migrar para a temporada.
"O investidor que comprou apartamento na planta em 2023 e 2024 esperava uma valorização de 15% ao ano. Com a valorização estagnada em torno de 5%, ele precisa de renda imediata. E a temporada oferece isso", explica Ricardo Yamamoto, analista da consultoria GRI. Dados da plataforma VivaReal mostram que anunciantes de temporada em bairros universitários como Perdizes e Vila Mariana, em São Paulo, conseguem obter diárias de R$ 350 no pico, o que representa uma receita mensal bruta de até R$ 10,5 mil — mais que o dobro do aluguel tradicional de um imóvel similar.
O movimento não se restringe a São Paulo. No Rio de Janeiro, bairros como Botafogo e Tijuca, impulsionados pelo turismo de negócios e pela proximidade de eventos corporativos, tiveram aumento de 41% na oferta de imóveis por temporada neste mês de agosto. Já em bairros como Barra da Tijuca, a preferência é por imóveis de alto padrão, com diárias que ultrapassam R$ 1,5 mil. No Nordeste, destaque para a Praia do Futuro, em Fortaleza, onde a temporada de verão antecipou-se e as reservas para dezembro já estão 65% comprometidas.
E não é só o varejo que está de olho nesse filão. As administradoras de imóveis estão se reposicionando. A Associação Brasileira de Administradoras de Imóveis (Abadi) registrou um aumento de 28% no número de imóveis sob gestão para temporada no primeiro semestre de 2026. Algumas empresas, como a QuintoAndar, lançaram plataformas específicas para locação de curta duração, com contratos flexíveis e seguro contra inadimplência.
Mas atenção: nem tudo é lucro. A tributação de aluguéis de curta duração é mais complexa, com incidência de ISS em algumas cidades e regras específicas para imóveis em condomínios. Além disso, a vacância entre temporadas pode corroer a rentabilidade. "O investidor precisa fazer as contas com o cenário realista: ocupação de 40% a 60% é o comum, não a exceção", alerta Luciana Franco, especialista em finanças imobiliárias da UOL. Ela recomenda: "Para quem tem perfil conservador, o aluguel tradicional ainda oferece previsibilidade. Para quem quer buscar o rendimento extra, a temporada é uma aposta promissora, mas exige gestão ativa."
Com a expectativa de queda da Selic no último trimestre deste ano, o crédito imobiliário deve baratear, e a tendência é que mais investidores entrem nesse mercado. A comissão de análise de mercado da Abrainc, em reunião na semana passada, projetou um crescimento adicional de 18% na locação por temporada até o fim de 2026. Se esse cenário se confirmar, os bairros que hoje lideram a alta podem se consolidar como os novos polos de renda imobiliária no Brasil.


