Aluguel por temporada dispara 32% no Rio e SP; veja os bairros que lideram
Levantamento da Secovi mostra que locação de curta temporada cresceu 32% em julho, com diárias médias de R$ 420 no Rio e R$ 380 em SP; saiba onde investir agora.

A locação por temporada, que já era aposta de investidores, virou o carro-chefe do mercado de aluguel no Brasil em 2026. Números divulgados esta semana pela Secovi-SP mostram que o volume de contratos de curta duração cresceu 32% em julho na comparação anual, puxado por Rio de Janeiro e São Paulo, onde a ocupação média dos imóveis anunciados em plataformas como Airbnb e Vrbo bateu 78% no mês passado — o maior patamar para o período desde 2019.
O que explica essa aceleração? O turismo interno segue em alta, com o brasileiro priorizando viagens nacionais, e a entrada de estrangeiros via isenção de visto para norte-americanos, canadenses e japoneses, em vigor desde abril, turbinou a demanda nas capitais. No Rio, a diária média subiu 18% em um ano, chegando a R$ 420, enquanto em São Paulo o valor médio saltou para R$ 380, uma alta de 14%, segundo dados compilados pela plataforma AlugueTemporada, que monitora 40 mil anúncios ativos.
Os bairros que mais se valorizaram neste trimestre são os de classe média alta com fácil acesso a centros de convenções e áreas turísticas. No Rio, Copacabana, Ipanema e a recém-revitalizada região do Porto Maravilha lideram as buscas, com ocupação acima de 85% nos fins de semana. Em SP, Itaim Bibi, Vila Madalena e Pinheiros aparecem no topo do ranking, com altas de 11%, 9% e 8% nas diárias, respectivamente, entre junho e agosto.
Para o investidor, o momento é de avaliar cuidadosamente o retorno. Com a Selic em 12,75% após a última reunião do Copom, no fim de julho, a renda fixa ainda oferece juros altos, mas a rentabilidade da locação por temporada, que hoje varia entre 0,8% e 1,2% ao mês sobre o valor do imóvel, supera o aluguel tradicional em até 40%, segundo estudo da consultoria ImovelWeb. No entanto, a alta volatilidade exige gestão ativa: imóveis em regiões menos demandadas podem ficar vazios por semanas.
“O investidor que busca liquidez e retorno mensal precisa olhar para bairros consolidados, com infraestrutura de transporte e turismo forte. A especulação em áreas periféricas pode gerar prejuízo”, alerta Marcos Tadeu, diretor de pesquisa da Secovi-SP, em entrevista ao Perspectiva Imobiliária esta manhã. Ele recomenda que novos entrantes comecem com imóveis de até R$ 600 mil, que têm menor vacância e custo de manutenção mais previsível.
A tendência deve se manter no segundo semestre, impulsionada pela alta temporada de verão. Na próxima semana, a Abrainc divulga seu relatório trimestral, que deve confirmar a expansão do segmento. Para quem está pensando em entrar no mercado agora, a dica é monitorar a taxa de ocupação dos últimos três meses na região escolhida e calcular o retorno líquido, descontando condomínio, IPTU e custos com energia e internet — itens que, somados, consomem até 25% do faturamento em algumas operações.


