Aluguel por temporada dispara 32% em julho; veja os bairros que mais lucram
Com Copom a 14,75% e turismo em alta, locação de curto prazo supera o aluguel tradicional em cidades como SP, Rio e Florianópolis. Descubra onde o retorno chega a 1,8% ao mês.

A locação por temporada no Brasil vive um momento de ouro. Dados do Secovi-SP divulgados nesta semana mostram que os aluguéis de curto prazo na capital paulista cresceram 32% em julho na comparação anual, puxados pelo aumento do turismo de negócios e pela alta da diária média, que chegou a R$ 420. Em bairros como Vila Madalena e Pinheiros, a ocupação superou 85% no último mês, e o retorno mensal para proprietários alcançou 1,8% ao mês, mais que o dobro do aluguel tradicional.
O cenário é semelhante no Rio de Janeiro, onde a plataforma AirDNA registrou um aumento de 28% nos aluguéis por temporada em julho, com diária média de R$ 510 em Ipanema e Leblon. Em Florianópolis, a alta foi de 25%, impulsionada pelo inverno e por eventos como o festival de gastronomia que ocorreu no início de agosto. Segundo a Abrainc, o interesse por imóveis voltados à locação de curto prazo cresceu 40% entre investidores institucionais no trimestre atual.
Parte desse movimento se explica pelo último Copom, realizado no fim de julho, que manteve a Selic em 14,75%. Com os juros altos, o financiamento imobiliário tradicional ficou mais caro, e muitos investidores migraram para o aluguel por temporada como forma de obter renda imediata e alta rentabilidade. "O mercado de locação de curto prazo deixou de ser alternativa e virou prioridade para quem busca rendimento", afirma Carla Nunes, analista da FipeZap, que aponta um aumento de 15% no número de imóveis anunciados para temporada nas capitais pesquisadas.
Outro fator é a mudança de comportamento do consumidor. Dados do Banco Central mostram que o Pix movimentou R$ 1,2 trilhão em julho, e parte desse volume está ligada a pagamentos de diárias e reservas, que cresceram 20% no ano. Plataformas como Airbnb e Booking.com registraram um aumento de 30% nas buscas por destinos brasileiros no inverno de 2026, segundo a Embratur. Cidades como Campos do Jordão, Gramado e Caldas Novas aparecem como as mais procuradas, com diárias que variam de R$ 350 a R$ 900.
Para o investidor, a dica dos especialistas é focar em imóveis compactos, bem localizados e com boa avaliação online. "Apartamentos de 1 ou 2 quartos, com cozinha equipada e internet rápida, têm as maiores taxas de ocupação e o melhor retorno", explica Ricardo Lemos, consultor da Secovi-SP. Ele recomenda atenção à legislação municipal e aos condomínios que restringem a locação por temporada. Em São Paulo, uma proposta em tramitação na Câmara Municipal pode regulamentar a atividade e criar um cadastro obrigatório de imóveis, o que deve dar mais segurança jurídica ao setor.
A tendência é que o aquecimento continue no segundo semestre. A Abrainc projeta um crescimento de 25% no aluguel por temporada até dezembro, impulsionado pela alta do dólar (em R$ 5,70 neste mês) e pela chegada de turistas estrangeiros. "Quem tem imóvel em cidades turísticas ou em regiões próximas a grandes centros corporativos deve aproveitar este momento", conclui Carla Nunes. Para quem pensa em entrar no mercado, a recomendação é pesquisar bem a localização, calcular todos os custos (como IPTU, condomínio e taxas das plataformas) e simular cenários de ocupação conservadores antes de investir.


