Mercado BR

Aluguel por temporada dispara 27% em agosto; veja os bairros que lucram mais

Com Copom mantendo Selic em 11,75%, locação de curta duração se torna a saída mais rentável do mercado. Levantamento mostra que bairros como Pinheiros e Ipanema superam R$ 9 mil por semana.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Aluguel por temporada dispara 27% em agosto; veja os bairros que lucram mais

O mercado de locação por temporada no Brasil vive um momento de ebulição. Dados divulgados nesta semana pela Associação Brasileira de Locação de Imóveis (ABLI) mostram que a demanda por imóveis de curta duração cresceu 27% em agosto comparado ao mesmo mês de 2025, impulsionada pelo turismo corporativo e pela retomada dos grandes eventos. O ticket médio nacional saltou de R$ 1.850 para R$ 2.340 por noite em regiões nobres, um aumento real de 10% no trimestre.

O que explica esse movimento? Um dos fatores é o último Copom, realizado em 6 de agosto, que manteve a Selic em 11,75% ao ano. Com os juros ainda altos, muitos proprietários que antes mantinham imóveis fechados ou em contratos longos estão migrando para a locação por temporada, que permite reajustes mais frequentes e rentabilidade superior. Segundo o Índice FipeZAP de Locação, o rendimento médio anual dos aluguéis tradicionais é de 6,8%, enquanto o por temporada, quando bem gerenciado, pode ultrapassar 15%.

Os bairros mais lucrativos surpreendem. Em São Paulo, Pinheiros e Vila Madalena lideram com diárias médias de R$ 1.200 e R$ 1.100, respectivamente, e ocupação de 82% no último mês. No Rio de Janeiro, Ipanema e Leblon alcançam R$ 1.500 por noite, com alta de 15% em relação a julho. Dados da plataforma Airbnb, com quem o portal conversou com exclusividade, mostram que a procura por imóveis de alto padrão no Nordeste, como Trancoso e Porto de Galinhas, cresceu 35% neste inverno – normalmente um período fraco.

Contudo, especialistas alertam para as armadilhas. A nova resolução da administradora ImovelWeb, publicada neste mês, exige que locadores por temporada façam um cadastro fiscal no sistema e-Social para cada hóspede, sob pena de multa de R$ 2.000. Além disso, a Prefeitura de São Paulo anunciou na última terça-feira que vai começar a cobrar ISS de 5% sobre as locações de temporada em toda a cidade, a partir de outubro. Quem não se adequar, terá a atividade suspensa.

Vídeo relacionado

Outro ponto de atenção é a sazonalidade. O último trimestre do ano, com feriados como Finados e Natal, costuma elevar a ocupação em 12%, segundo a Secovi. Mas quem quer encarar a gestão operacional, arcar com custos de limpeza, internet, energia e possíveis danos, precisa calcular bem o preço. A recomendação de consultores é usar plataformas que oferecem seguro patrimonial e proteção contra calote – que tiveram um aumento de 20% na procura este ano, conforme levantamento da corretora Lello.

Para o investidor, o recado é claro: a temporada virou a queridinha do mercado, mas exige profissionalização. Famílias que colocaram seus imóveis nas plataformas e não acompanham os preços de mercado estão deixando de ganhar até R$ 600 por noite em feriados prolongados, como mostrou a pesquisa da ABLI. A dica é acompanhar os relatórios de demanda do setor e ajustar as tarifas semanalmente, como fazem as grandes administradoras.

Com o turismo de eventos aquecido – a Fórmula 1 em Interlagos, marcada para 8 de novembro, já tem 90% das diárias vendidas em São Paulo – a tendência é que a alta continue no próximo trimestre. Quem age rápido, lucra. Quem fica parado, perde. A janela para ajustar a estratégia de locação é agora.

#aluguel por temporada#mercado imobiliário#rentabilidade
0 comentário(s)

Comentários

para comentar.

    Continue lendo