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Aluguel por temporada dispara 23% no litoral de SP em julho; veja onde rende mais

Com Selic a 14,75% e turismo aquecido, locação de curto prazo supera contratos longos em cidades como Ubatuba e Guarujá. Levantamento revela os 5 destinos com maior retorno.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Aluguel por temporada dispara 23% no litoral de SP em julho; veja onde rende mais

A rentabilidade do aluguel por temporada no litoral de São Paulo cresceu 23% em julho na comparação com o mesmo mês de 2025, impulsionada pela alta do turismo doméstico e pelo avanço da formalização de imóveis em plataformas digitais. O dado é do índice Locatemporada, da Fipezap, que acompanha 12 cidades do litoral paulista. No acumulado de 2026, a variação chega a 18%, enquanto o aluguel tradicional de longo prazo subiu apenas 6,4% no mesmo período. Com a Selic em 14,75% ao ano — patamar mantido na última reunião do Copom, em 30 de julho —, investidores têm migrado para ativos de renda variável e o imobiliário de temporada desponta como alternativa de renda mensal mais atrativa que o CDI líquido.

O desempenho não se restringe ao litoral paulista. Nas capitais do Nordeste, a locação por temporada também registrou alta de 14% no segundo trimestre, puxada por Salvador, Fortaleza e Maceió, segundo dados da plataforma Alugue Temporada. Em Salvador, a diária média na orla de Amaralina chegou a R$ 450 em julho, com taxa de ocupação de 81% — a maior da série histórica que começa em 2022. O movimento reflete a recuperação do turismo internacional pós-pandemia e a busca por estadias mais longas, impulsionada pelo trabalho remoto e pela alta do dólar, que reduziu as viagens ao exterior e redirecionou a demanda para destinos nacionais. A cotação da moeda americana, que fechou esta semana em R$ 6,08, reforça essa tendência.

A equação para o investidor mudou. Com o rendimento do aluguel tradicional girando em torno de 5% ao ano em grandes centros — segundo o índice de retorno da Abrainc, que acompanha o mercado desde 2020 —, a temporada entrega, em média, 10,2% ao ano, considerando ocupação média de 70% e gestão profissional. Em cidades de praia, como Ubatuba e Guarujá, o retorno pode ultrapassar 12%, especialmente em imóveis mobiliados e com boa infraestrutura de lazer. "Quem comprou na planta em 2023 e entregou no início deste ano está colhendo ganhos de 15% a 20% ao ano, considerando a valorização do imóvel e a locação", afirma Ricardo Campos, diretor de inteligência de mercado da Secovi-SP. A demanda aquecida também elevou os preços de venda: o metro quadrado em Ubatuba subiu 9% no último semestre, enquanto o índice Fipezap das capitais avançou 3,2% no período.

No entanto, a corrida pela temporada exige cuidado. A tributação sobre aluguéis de curto prazo segue o mesmo regime de pessoa física (isenção até R$ 1.903,98 mensais com dedução de 15% do INSS), mas a Receita Federal tem ampliado o cruzamento de dados com as plataformas digitais. Neste mês, a notificação anual de rendimentos de 2025 já está aberta, e quem não declarar corretamente pode cair na malha fina. Além disso, a taxa de ocupação varia muito com o calendário: em julho, o litoral paulista atingiu 85%, mas em abril ficou em 65%, o que exige reserva de capital para os meses de baixa. Especialistas recomendam diversificar entre praia e serra ou mesmo entre cidades de diferentes regiões, para suavizar a sazonalidade.

Outra tendência que ganhou força em 2026 é a locação por temporada em cidades médias do interior, ligadas ao agronegócio e a polos industriais. Cidades como Ribeirão Preto (SP), Maringá (PR) e Uberlândia (MG) registraram aumento de 30% nas diárias para executivos em viagens de negócios, segundo a plataforma Hoteis.com Brasil. A hotelaria tradicional não acompanhou a demanda, e plataformas como o Airbnb já respondem por 25% das pernoites nessas cidades. Para o investidor, isso abre uma nova frente: adquirir apartamentos próximos a centros de convenções e parques tecnológicos, com perfil de hóspede executivo, que aceita diárias mais altas e costuma ter ocupação mais estável durante a semana. Diferente do litoral, o retorno médio é de 8% a 9% ao ano, mas com menor risco sazonal.

Para quem pretende entrar agora, o momento é de juros altos, o que pressiona a oferta de imóveis e mantém os preços relativamente estáveis. Os lançamentos de studios e flats voltados para temporada cresceram 12% no primeiro semestre, conforme a pesquisa de lançamentos da Secovi-SP. Contudo, o crédito imobiliário segue com taxas elevadas, próximas de 12% ao ano, e a entrada mínima exigida pelos bancos subiu para 30% do valor do imóvel. A boa notícia é que a rentabilidade projetada ainda supera o custo do financiamento, especialmente nos destinos com maior ocupação. O segredo é escolher a cidade certa, com demanda consolidada e gestão profissional. "O investidor precisa analisar a ocupação histórica, a concorrência e a legislação local, que em algumas cidades já limita o número de diárias", alerta Campos.

No trimestre atual, os dados indicam que a temporada de inverno está sendo a melhor dos últimos cinco anos, com ocupação média de 78% no litoral de SP e 82% na serra gaúcha. Para o verão, as projeções da Abrainc apontam crescimento de 15% nas reservas antecipadas, o que pode elevar ainda mais os rendimentos. Se você está considerando diversificar para o curto prazo, o caminho é estudar a fundo o destino, calcular a sazonalidade e, idealmente, começar com um imóvel em cidade universitária ou polo executivo, onde a demanda é menos volátil. O mercado de temporada não é uma fórmula mágica, mas, com dados na mão, pode ser uma das melhores alternativas de renda imobiliária em 2026.

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