Aluguel por temporada dispara 23% em julho; veja os 5 bairros mais rentáveis
Dados do Secovi-SP mostram que locação de curta duração superou contratos tradicionais pela primeira vez. Saiba onde rende até 1,2% ao mês.

O mercado de locação por temporada no Brasil vive um momento de ebulição. Dados divulgados nesta semana pelo Secovi-SP mostram que o volume de contratos de curta duração cresceu 23% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, superando pela primeira vez a variação dos aluguéis tradicionais, que ficou em 11%. O movimento é puxado pela retomada do turismo de negócios e pelo aumento da demanda por estadias de médio prazo, impulsionado pelo trabalho híbrido.
Segundo levantamento da FipeZap, o preço médio do aluguel por temporada nas capitais brasileiras atingiu R$ 210 por noite em julho, alta de 8,2% em 12 meses. Em bairros nobres de São Paulo, como Itaim Bibi e Vila Olímpia, o valor médio chega a R$ 450 a diária, com taxa de ocupação de 82% no trimestre encerrado em junho. Já no Rio de Janeiro, a região do Leblon lidera o ranking de rentabilidade, com retorno bruto de 1,2% ao mês sobre o valor do imóvel, segundo dados da plataforma de gestão de aluguéis Alugar na Rede.
O que explica esse boom? Especialistas apontam a combinação de três fatores: a queda da taxa de vacância em imóveis comerciais, que empurrou investidores para o residencial; o avanço das plataformas digitais, que reduziram o custo de gestão; e a recente decisão do Copom, que manteve a Selic em 12% ao ano na reunião da semana passada, tornando o aluguel de curta duração mais atrativo frente a aplicações de renda fixa. 'Com a Selic estável, o investidor busca ativos com rendimento real. A locação por temporada, com boa gestão, entrega isso', afirma João Paulo de Oliveira, analista da consultoria SiiLA.
Os dados da B3 reforçam a tendência: os fundos imobiliários voltados para o segmento de hospitality captaram R$ 1,2 bilhão no primeiro semestre de 2026, quase o dobro do mesmo período de 2025. Uma das estreias mais aguardadas do trimestre é o primeiro FII focado em flats de médio prazo, com oferta inicial prevista para setembro. 'O mercado está amadurecendo, mas o investidor precisa ficar atento à localização e à gestão. Nem todo bairro dá retorno', alerta o consultor.
Para quem quer entrar nesse mercado, a recomendação dos especialistas é começar por bairros com alta densidade de empresas e universidades, onde a demanda é mais constante. Em Belo Horizonte, o bairro Savassi aparece como o mais rentável, com retorno de 1,05% ao mês; em Porto Alegre, o Moinhos de Vento lidera com 0,98%. Já em Brasília, o Setor Sudoeste se destaca pela ocupação estável de 90% no mês de agosto, impulsionada pelos servidores públicos e estagiários.
Mas atenção: a rentabilidade bruta não é a líquida. Impostos, condomínio, IPTU e taxa de administração podem consumir até 40% do rendimento. 'O investidor que não fizer a conta certa pode se frustrar', diz Oliveira. A dica é usar plataformas de gestão que ofereçam relatórios detalhados e ter uma reserva para cobrir períodos de vacância.
Diante desse cenário, a locação por temporada se firma como uma alternativa viável para diversificar a carteira imobiliária em 2026. Mas o sucesso depende de pesquisa, localização certeira e uma gestão profissionalizada. O momento é favorável, mas não é para amadores.


