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Aluguel por temporada dispara 23% e supera contrato anual pela 1ª vez

Dados da Abrainc mostram que locação de curta duração rende até R$ 4.800/mês em capitais; entenda como o novo Copom influencia a decisão de investir.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Aluguel por temporada dispara 23% e supera contrato anual pela 1ª vez

Nesta semana, um levantamento da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) revelou que o aluguel por temporada cresceu 23% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado, superando pela primeira vez a variação dos contratos anuais, que subiram 12% no mesmo intervalo. Os dados, divulgados na última segunda-feira (17), reforçam uma tendência que vem se consolidando desde o início do ano: a preferência por locações de curta duração, impulsionada pelo turismo doméstico e pela flexibilidade exigida pelos novos formatos de trabalho.

O número impressiona quando olhamos para os valores praticados. Em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, um imóvel mobiliado de dois quartos em bairros nobres pode gerar uma receita média de R$ 4.800 por mês na temporada alta, contra R$ 3.200 de um contrato tradicional de 24 meses. A diferença, de quase 50%, tem atraído investidores que buscam rentabilidade imediata. Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária apontam que a plataformas como Airbnb e Vrbo já respondem por 18% de todo o estoque residencial locado nas capitais, um avanço significativo em relação aos 12% de 2025.

Mas não é só a demanda turística que explica o movimento. A decisão do Copom da última semana, que manteve a Selic em 12,75% ao ano após três quedas consecutivas, criou um ambiente de incerteza no crédito imobiliário. Com financiamentos mais caros, muitos proprietários optaram por migrar seus imóveis da locação tradicional para a temporada, buscando a rentabilidade maior como forma de compensar o custo de oportunidade. Segundo o economista-chefe da Secovi-SP, Pedro de Souza, 'o aluguel por temporada virou uma alternativa real para quem não consegue vender o imóvel no preço desejado ou não quer se comprometer com contratos longos'.

Outro fator estrutural é a mudança no perfil do inquilino. Pesquisa do Datafolha, encomendada pela Abrainc, mostrou que 67% dos locatários por temporada são profissionais em trabalho híbrido, que alternam semanas na capital e no interior. Esse público, que busca flexibilidade de datas e não se prende a mobília, tem impulsionado a demanda por imóveis menores, com boa conexão de internet e localização próxima a hubs de transporte. Em cidades como Campinas e Porto Alegre, o aluguel por temporada já representa 30% de todas as locações residenciais, segundo dados da plataforma QuintoAndar.

Para quem pensa em investir, a dica é avaliar o imóvel com cuidado. O retorno bruto de uma locação por temporada pode chegar a 0,8% do valor do imóvel por mês, contra 0,4% da locação tradicional, mas há custos: taxa de administração de plataformas (em média 14%), manutenção mais frequente e períodos de vacância. Em São Paulo, a vacância média do segmento ficou em 22% no primeiro semestre de 2026, segundo a FipeZap. Ou seja, o ganho só compensa se a taxa de ocupação for superior a 65%.

Neste mês, a Câmara dos Deputados aprovou, em caráter conclusivo, o projeto que regulamenta a cobrança de ISS (Imposto sobre Serviços) sobre plataformas digitais de hospedagem. A alíquota máxima será de 5% e incidirá sobre a taxa de serviço cobrada das plataformas, não sobre o valor total do aluguel. A medida, que deve ser sancionada até setembro, traz mais segurança jurídica e deve destravar investimentos no setor, que já soma mais de 1.200 imóveis listados em condomínios-clube no país, conforme levantamento da Build in.

A tendência, avaliam analistas, é que o aluguel por temporada continue crescendo nos próximos meses, impulsionado pelo feriado de 7 de setembro e pela temporada de verão. A dica é ficar atento ao histórico de ocupação da região e à sazonalidade. Como resume a consultora de investimentos imobiliários Marina Lima, 'quem planejar com base em dados, e não em promessa de retorno fácil, vai aproveitar o melhor momento do segmento nos últimos dez anos'.

#aluguel por temporada#locação#mercado imobiliário
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