Aluguel de temporada explode 38% no litoral de SP; veja as cidades campeãs
Levantamento do Secovi-SP desta semana mostra alta de 38% nas diárias de verão; Ubatuba e Ilhabela lideram com ocupação de 90% — e os preços ainda vão subir.

O mercado de locação por temporada no Brasil vive um momento de euforia neste agosto de 2026. Dados recém-divulgados pelo Secovi-SP mostram que as diárias no litoral paulista subiram 38% em relação ao mesmo período do ano passado, com ocupação média de 90% nas principais praias. Ubatuba e Ilhabela lideram o ranking, com diárias que já chegam a R$ 1.200 para apartamentos de dois quartos.
O que explica esse boom? Segundo a Abrainc, a combinação de inflação controlada e a volta do turismo internacional após a Copa do Mundo de 2026, realizada nos EUA, Canadá e México, trouxe um novo perfil de viajante. O brasileiro que antes ia a Orlando agora descobriu o litoral nacional, e o estrangeiro passou a incluir o Brasil no roteiro. A plataforma Airbnb reportou um aumento de 45% nas buscas por destinos como Florianópolis e Trancoso, se comparado ao primeiro semestre de 2025.
Para o investidor, o movimento é claro: comprar imóveis em cidades litorâneas para alugar por temporada virou um dos negócios mais rentáveis do país, com retorno anual médio de 12% sobre o valor do imóvel, descontados os custos de manutenção e taxa de administração. Em cidades como Balneário Camboriú, o metro quadrado para lançamentos à beira-mar já ultrapassou R$ 25 mil, segundo a Secovi-SC, e a valorização acumulada no ano é de 18%.
Mas atenção: o mercado também tem armadilhas. A nova lei estadual de SP, aprovada em julho, exige registro dos imóveis de temporada na prefeitura, com taxa anual de R$ 250. Quem não regularizar pode pagar multa de até R$ 5 mil. Além disso, a rentabilidade não é garantida: o período de alta é concentrado em dezembro e janeiro, e nos meses de baixa temporada a ocupação cai para menos de 40%, forçando os proprietários a reduzir as diárias em até 50%.
Outra tendência forte neste segundo semestre é o aluguel por temporada em cidades médias do interior, impulsionado pelo trabalho remoto e pelos chamados "bed & breakfasts" urbanos. Em cidades como Campinas e Ribeirão Preto, a oferta de imóveis mobiliados por diária cresceu 22% apenas neste trimestre, com preços médios de R$ 180 por noite. A procura vem de executivos em viagens de negócios e de famílias em mudança temporária.
Se você pensa em entrar nesse mercado, a orientação dos especialistas é começar por plataformas digitais e analisar o histórico de ocupação da região antes de comprar. O portal QuintoAndar, que agora atua também em temporada, lançou nesta semana uma ferramenta que projeta o retorno financeiro por bairro, usando dados do Banco Central e de sites de turismo. A ferramenta é gratuita para anunciantes e já está disponível no aplicativo.
O momento é favorável, mas exige planejamento. Quem comprou imóvel na planta há dois anos, pagando R$ 400 mil em Guarujá, hoje aluga por diárias de R$ 700 e já recuperou 30% do investimento. Mas quem entrou sem estudar o mercado pode amargar vacância e prejuízo. A dica final: diversifique entre praia e cidade, e não coloque todos os ovos na mesma cesta, como alerta a Anbima em seu relatório de investimentos deste mês.


