Aluguel de temporada dispara 23% no Brasil em julho; 3 cidades lideram alta
Plataformas como Airbnb e Booking registraram ocupação recorde no inverno. Veja quais destinos puxaram os preços e como investir nessa tendência antes da alta temporada.

O mercado de locação por temporada no Brasil vive um momento de forte aquecimento. Dados divulgados esta semana pela Associação Brasileira de Aluguel por Temporada (ABAT) mostram que o valor médio das diárias subiu 23% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, enquanto a ocupação média atingiu 68% nos destinos monitorados — o maior patamar para o mês desde o início da série histórica, em 2019.
O desempenho é puxado principalmente pelas regiões Sul e Sudeste, que registraram alta de 32% e 28% nas diárias, respectivamente. Entre as cidades com maior valorização, destacam-se Gramado (RS), Campos do Jordão (SP) e Caldas Novas (GO), com aumentos de 41%, 38% e 34% na comparação anual. O frio intenso e o apelo do turismo de inverno explicam parte do movimento, mas analistas apontam uma mudança estrutural: o brasileiro está priorizando viagens domésticas e buscando experiências mais personalizadas, o que favorece o aluguel por temporada.
No mercado institucional, o Banco Central indica que o crédito imobiliário segue aquecido, com a taxa média de juros do financiamento em 10,4% ao ano, segundo a última pesquisa do BC divulgada no início de agosto. Para o investidor que quer entrar nesse segmento, a recomendação é ficar atento a municípios com forte apelo turístico e boa infraestrutura, mas que ainda não estejam saturados. "Cidades como Monte Verde (MG) e Urubici (SC) têm mostrado um crescimento consistente na demanda, com preços ainda abaixo do pico", afirma Ricardo Santos, sócio da consultoria Viva Imóveis.
A expectativa para o restante de 2026 é de alta contínua. A ABAT projeta que a temporada de verão, que começa em dezembro, deve registrar crescimento de 15% a 20% no valor das diárias em relação ao mesmo período de 2025. Isso coloca o aluguel por temporada como uma das alternativas mais rentáveis do mercado imobiliário, especialmente para quem busca renda variável e flexibilidade. O investimento médio para adquirir um imóvel voltado a esse público é de R$ 350 mil, segundo a Secovi-SP, com retorno médio estimado em 8,4% ao ano, considerando ocupação média de 60%.
No entanto, é preciso cautela. A regulamentação municipal ainda é um ponto de atenção: cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis discutiram, ao longo deste ano, novas regras para a locação por temporada, o que pode afetar a oferta e os preços. Especialistas recomendam verificar a legislação local antes de investir. Com a Selic em 13,75% ao ano, o custo de oportunidade é alto, mas a demanda aquecida e a perspectiva de valorização fazem do aluguel por temporada uma aposta relevante para o segundo semestre.


