3 bairros de SP que subiram 41% no semestre; veja se o seu está na lista
Levantamento do Secovi-SP aponta explosão de preços em Perdizes, Saúde e Moema, puxada por déficit de lançamentos. Entenda por que esses endereços viraram alvo de investidores.

O mercado imobiliário de São Paulo vive um movimento de concentração: enquanto a média da cidade subiu 12% no primeiro semestre, três bairros descolaram com altas superiores a 40%. Dados do Secovi-SP divulgados nesta semana mostram que Perdizes lidera com 41% de valorização no m², seguido por Saúde (38%) e Moema (35%).
A explicação é estrutural: nos últimos 12 meses, o déficit de lançamentos nessas regiões chegou a 28%, segundo a Abrainc. A oferta enxuta, combinada com a demanda de famílias que buscam proximidade com novas linhas de metrô — como a futura estação da Linha 6 em Perdizes —, criou um efeito de leilão entre construtoras e compradores.
Outro fator que acelerou a busca foi o último Copom, que manteve a Selic em 10,75% ao ano, mas com sinalização de queda para setembro. Com o crédito mais barato no horizonte, investidores anteciparam decisões. "O que vemos é uma corrida por ativos com liquidez antes que os preços subam mais", afirma a economista-chefe da Secovi-SP, Marina Duarte.
Em Perdizes, o m² médio saltou de R$ 9.200 para R$ 13.000 em seis meses. Já na Saúde, a valorização foi puxada por retrofit de prédios comerciais para residenciais. Em Moema, a escassez de terrenos obrigou incorporadoras a pagar prêmios de até 30% sobre o valor de mercado, repassados ao consumidor final.
Para o investidor, o alerta é: esses bairros já podem estar com preço acima do fundamento. Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária recomendam comparar o valor do m² com o aluguel praticado — o chamado cap rate. Em Saúde, o rendimento médio anual é de 5,8%, ainda atrativo, mas em Moema caiu para 4,9%, abaixo da média da cidade.
O movimento não deve arrefecer no trimestre atual. Com a expectativa de cortes na Selic e a volta do Minha Casa Minha Vida para faixa 2, a tendência é que bairros de renda média-alta continuem no radar. A dica dos corretores: quem quer entrar, deve negociar com base no preço de 90 dias atrás, pois muitos lançamentos ainda usam tabela defasada.
Se você comprou em Perdizes no início do ano, a alta já paga a entrada. Mas para quem está de fora, a pergunta é: esses 41% são sustentáveis ou estamos diante de uma bolha localizada? A resposta, segundo o Secovi, depende da velocidade da queda da Selic e da aprovação de novos projetos na Câmara Municipal.


