Celebidades

Whindersson Nunes compra prédio de R$ 22 milhões em SP; entenda o rendimento

Humorista adquiriu edifício comercial na Vila Olímpia com CAP rate de 7,2% ao ano. Especialistas explicam por que famosos estão trocando mansões por imóveis de renda.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Whindersson Nunes compra prédio de R$ 22 milhões em SP; entenda o rendimento

O humorista Whindersson Nunes acaba de entrar para o seleto grupo de celebridades que transformam cachês milionários em patrimônio imobiliário. Nesta semana, sua holding, a WN Participações, fechou a compra de um prédio comercial de sete andares na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, por R$ 22 milhões. O vendedor foi um fundo de investimento imobiliário que estava com o ativo na carteira desde 2019. A informação foi confirmada por duas fontes do setor que acompanharam a transação, sob condição de anonimato.

O imóvel tem 4.200 metros quadrados de área locável e está 92% ocupado por três inquilinos: uma clínica odontológica, uma startup de logística e um escritório de advocacia. Segundo a documentação a que a reportagem teve acesso, a receita mensal de aluguel gira em torno de R$ 132 mil, o que projeta um rendimento bruto anual de aproximadamente R$ 1,58 milhão. Na conta simplificada, isso representa um cap rate de 7,2% ao ano sobre o valor pago — número acima da média de 6,1% registrada para lajes corporativas na cidade no segundo trimestre, segundo o Secovi-SP.

A operação chama atenção por um detalhe: não foi financiada. Whindersson usou recursos próprios da holding, que desde 2023 diversifica ganhos de shows, publicidade e participações em empresas de tecnologia. A estratégia é oposta à de muitos influenciadores que, nos últimos anos, compraram mansões de alto padrão para morar. Imóveis residenciais de luxo, como os do Jardim Europa e do Itaim Bibi, têm valorizado menos que a inflação em 2026: o índice FipeZap aponta alta de 4,3% nos últimos 12 meses, contra IPCA acumulado de 5,1% no período.

"O influenciador que compra um imóvel comercial com inquilino dentro está comprando fluxo de caixa, não status. É uma virada de chave que a gente tem visto desde o ano passado", explica a consultora de patrimônio Marina Albuquerque, da gestora paulista Trindade & Rocha. Ela lembra que a Selic a 9,75% ao ano, após o corte de 0,5 ponto na última reunião do Copom, em 2 de setembro, ainda torna a renda fixa atrativa, mas o mercado imobiliário corporativo voltou a atrair quem busca proteção contra a inflação e isenção de imposto sobre ganho de capital em determinadas operações.

O movimento não é isolado. No trimestre atual, pelo menos outras três celebridades brasileiras anunciaram aquisições de imóveis de renda: a apresentadora Sabrina Sato adquiriu duas salas comerciais no bairro do Itaim, e o ex-jogador Neymar Júnior ampliou a participação em um empreendimento logístico em Barueri. Segundo levantamento da Abrainc com a Fipe, a participação de pessoas físicas nas compras de imóveis comerciais subiu de 18% para 27% em dois anos.

Para quem pensa em seguir o exemplo, a lição é clara: antes de imitar o vizinho famoso, é preciso olhar contrato de locação, vacância do prédio e qualidade dos inquilinos. Um cap rate de 7,2% só se sustenta se as três salas continuarem alugadas. Whindersson, ao que tudo indica, fez a lição de casa — e transformou piada em patrimônio.

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