Virgínia Fonseca compra cobertura de R$ 28 milhões em Miami e revela estratégia de diversificação
Influenciadora adquiriu imóvel de 420 m² na Brickell Avenue com vista para a baía; operação foi estruturada via holding familiar e inclui plano de renda em dólar com aluguel estimado em US$ 25 mil por mês.

A influenciadora Virgínia Fonseca, uma das maiores criadoras de conteúdo do Brasil, fechou nesta semana a compra de uma cobertura de 420 m² na Brickell Avenue, em Miami, por R$ 28 milhões — cerca de US$ 5,1 milhões pelo câmbio desta sexta-feira (18). O imóvel, no 48º andar de um dos condomínios mais novos da região, tem quatro suítes, piscina privativa e vista para a Baía de Biscayne. A informação foi confirmada por duas fontes ligadas à transação, que pediram anonimato por causa do contrato de confidencialidade.
O movimento não é isolado. Segundo dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) divulgados neste mês, a compra de imóveis residenciais de alto padrão por brasileiros nos Estados Unidos cresceu 34% no terceiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. Miami concentra 61% dessas operações, seguida por Orlando (18%) e Nova York (12%). O ticket médio das transações com brasileiros na Flórida chegou a US$ 1,9 milhão, alta de 12% em relação a 2025.
A estrutura usada por Virgínia chama atenção de especialistas. A compra foi feita por meio de uma holding familiar aberta no Brasil, que controla uma LLC americana — modelo comum entre empresários e artistas que buscam proteção patrimonial e eficiência tributária. "A holding permite organizar a sucessão e separar o patrimônio pessoal do profissional. Já a LLC nos EUA facilita a gestão do aluguel e a eventual venda sem tributar duas vezes", explica o advogado tributarista Rodrigo Menezes, que não atua no caso.
O plano de Virgínia, segundo as fontes, é transformar o imóvel em fonte de renda em dólar. A estimativa é alugar a cobertura por temporada, com diária entre US$ 1.500 e US$ 2.200 — o que pode gerar receita bruta de até US$ 25 mil por mês na alta estação (dezembro a março). Descontadas as despesas de condomínio, impostos locais e gestão, o retorno líquido projetado fica entre 4,5% e 5,5% ao ano em dólar, acima da média de 3,8% dos fundos imobiliários americanos (REITs) residenciais no trimestre.
A operação também serve de aula sobre timing cambial. O dólar comercial fechou a sexta-feira a R$ 5,48, queda de 6,2% no acumulado de 2026, segundo o Banco Central. Para quem comprou o imóvel há um ano, quando a moeda estava em R$ 5,84, a valorização em reais chega a 6,6% só pela variação do câmbio — sem contar a valorização do metro quadrado em Miami, que subiu 9,1% em 12 meses, de acordo com o índice Case-Shiller. "O investidor brasileiro está aprendendo a olhar o imóvel como ativo global, não só como moradia", diz a economista Paula Reis, da Fundação Getulio Vargas (FGV).
No Brasil, Virgínia também mantém um portfólio imobiliário relevante. No mês passado, sua holding arrematou dois andares comerciais na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, por R$ 19 milhões, com previsão de locação para empresas de tecnologia. A estratégia combinada — imóveis de renda em São Paulo e Miami — reduz a exposição ao risco Brasil e diversifica a moeda de recebimento. É o mesmo caminho seguido por outros influenciadores e artistas, como Whindersson Nunes, que em julho comprou um prédio residencial em Lisboa, e Anitta, que neste mês ampliou a participação em um fundo imobiliário em Madri.
Para quem pensa em seguir os passos da influenciadora, especialistas fazem um alerta: o custo de entrada é alto e a operação exige estrutura profissional. Além do preço do imóvel, o comprador arca com ITBI (3% em Miami), taxas de condomínio (cerca de US$ 4 mil mensais na cobertura de Virgínia) e imposto sobre a renda de aluguel nos EUA, que varia de 10% a 37% dependendo do tempo de permanência. "Não é investimento para amador. É preciso planejamento tributário e uma equipe local", resume Menezes. Ainda assim, com o dólar em queda e a busca por proteção patrimonial em alta, o mercado imobiliário americano segue no radar de quem tem patrimônio acima de R$ 5 milhões — e Virgínia acaba de mostrar como se faz.


