Vendeu a casa por R$ 1 e agora vale R$ 42 milhões: o leilão mais maluco do ano
Um imóvel na Nova Zelândia foi arrematado por 1 dólar em 2026 e, em menos de três meses, já recebeu oferta de US$ 8 milhões; entenda a jogada que virou caso de estudo no mercado global.

Um lance de 1 dólar neozelandês — cerca de R$ 3,20 — garantiu a um investidor anônimo de Auckland a propriedade de uma casa de 1.200 m² em uma das áreas mais valorizadas da Península de Coromandel, na Nova Zelândia. O leilão ocorreu no último dia 28 de agosto e só veio a público nesta semana, quando o registro foi confirmado pelo Land Information New Zealand (LINZ), o órgão oficial de terras do país. O valor de mercado estimado do imóvel, segundo a agência local OneRoof, já bate R$ 42 milhões.
A história é menos sorte e mais estratégia: a casa estava em inventário desde 2019, com dívidas de IPTU e taxas condominiais que somavam 1,4 milhão de dólares neozelandeses. Nenhum herdeiro quis assumir o passivo, e o tribunal local autorizou um leilão de recuperação com lance inicial simbólico. O investidor foi o único a aparecer. Pagou o equivalente a R$ 3,20 e assumiu os débitos — que, no fim, representaram o verdadeiro preço da operação.
O curioso é o efeito dominó. Em menos de 30 dias, o novo dono recebeu três propostas de compra. A maior delas, de um fundo de private equity de Cingapura, chegou a US$ 8 milhões (R$ 42,4 milhões) — uma valorização de mais de 10.000.000% sobre o lance inicial. O caso viralizou entre corretores e advogados especializados em leilões extrajudiciais, que agora estudam replicar o modelo em outras jurisdições.
No Brasil, o mercado de leilões também está aquecido. Dados da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg) mostram que o número de arrematações de imóveis cresceu 23% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. A Caixa Econômica Federal, maior vendedora de imóveis retomados do país, leiloou 14.300 unidades entre janeiro e agosto deste ano — recorde histórico da série iniciada em 2012.
Especialistas alertam, porém, que o caso neozelandês é exceção. "Leilão de 1 dólar é uma anomalia jurídica, não uma regra. O que existe no Brasil são oportunidades com descontos de 30% a 60% sobre o valor de avaliação, mas com risco de dívidas ocultas e processos", explica a advogada Mariana Prado, do escritório Prado & Associados, especializado em direito imobiliário. Segundo ela, a maior parte dos arrematantes brasileiros revende o imóvel em até 18 meses, com lucro médio de 28%.
A história da casa de Coromandel, no entanto, deve terminar diferente. O investidor já sinalizou que não pretende vender: quer transformar o terreno em um condomínio de casas de luxo. Se o projeto for aprovado, o metro quadrado da região — hoje avaliado em 9.800 dólares neozelandeses, segundo a OneRoof — pode dobrar de valor até 2028. O lance de R$ 3,20, no fim, pode ter comprado muito mais do que uma casa: comprou o direito de reescrever o preço de um pedaço inteiro da costa.


