Análise

Valorização recorde: 5 capitais veem preços subirem até 18% em 12 meses

Levantamento do FipeZap para agosto mostra ritmo acelerado; veja quais bairros puxam a alta e se a tendência se sustenta diante do novo ciclo do Copom.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Valorização recorde: 5 capitais veem preços subirem até 18% em 12 meses

A valorização imobiliária nas capitais brasileiras ganhou força neste terceiro trimestre, contrariando as expectativas de desaceleração. Dados do índice FipeZap divulgados nesta semana apontam que as cinco capitais com maior alta em agosto registraram elevação média de 18,3% nos preços de venda em 12 meses, o maior ritmo desde o pico de 2012. O movimento é liderado por bairros de classe média em Fortaleza, Goiânia e Curitiba, onde a demanda por imóveis de médio padrão superou a oferta.

Em São Paulo, a maior alta do mês ficou com o extremo da Zona Leste. O bairro de Cidade Tiradentes viu os preços saltarem 7,2% só em agosto, acumulando 42% nos últimos 12 meses. A região, antes ignorada pelo mercado formal, agora abriga mais de 30 lançamentos de imóveis com preço abaixo de R$ 200 mil. Segundo a Secovi-SP, a combinação de déficit habitacional, expansão do Minha Casa, Minha Vida e melhoria do transporte público local tem atraído construtoras de grande porte.

No Rio de Janeiro, a valorização se espalha para além da orla. O bairro de Guadalupe, na Zona Norte, registrou alta de 5,8% no trimestre, puxada pela chegada do BRT Transbrasil e pela revitalização de áreas centrais. Enquanto isso, bairros como Leblon e Ipanema seguem com preços estáveis, sugerindo que o ciclo atual é de interiorização do crescimento, avalia a ABRAINC. O preço médio no Rio subiu 2,1% em agosto, o melhor mês desde 2021.

O Banco Central, que elevou a Selic para 12,5% ao ano no último Copom, ainda não freou a demanda. O crédito imobiliário cresceu 15% no semestre, impulsionado pelo FGTS e por linhas com taxas pré-fixadas. Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária explicam que o estoque de imóveis novos está no menor nível desde 2019, pressionando os preços. A tendência deve se manter até o fim do ano, quando novos lançamentos devem equilibrar a oferta.

As capitais que mais valorizaram nos últimos 12 meses foram Fortaleza (18%), Goiânia (16%), Curitiba (15%), Vitória (14%) e Florianópolis (13%). Em todas, o padrão é o mesmo: bairros periféricos com boa infraestrutura crescem acima da média, enquanto áreas nobres registram alta inferior a 8%. A dica do especialista é olhar para regiões com anúncios de novos hospitais, escolas e centros comerciais, indicando que a valorização deve continuar por mais 24 meses.

Para o investidor, o momento exige cautela com a escolha do bairro. A diferença entre o imóvel que valoriza 5% e o que sobe 20% está na infraestrutura futura. Entre os destaques desta semana, o bairro de Itaipu, em Niterói, chamou atenção ao registrar alta de 3,9% em agosto, com a venda de 200 unidades em um só empreendimento. Com a demanda aquecida e a oferta limitada, a tendência é que as capitais listadas continuem no topo do ranking nos próximos meses.

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