Análise

Valorização imobiliária: os 5 bairros que subiram até 3,1% em setembro

Enquanto o IGP-M acumula alta de 5,2% em 12 meses, cinco bairros de capitais dispararam no mês e já superam a inflação; veja onde o metro quadrado não para de subir.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Valorização imobiliária: os 5 bairros que subiram até 3,1% em setembro

O mercado imobiliário brasileiro voltou a surpreender em setembro. Segundo o Índice FipeZap, divulgado nesta semana, o preço médio do metro quadrado nas 56 cidades monitoradas subiu 0,9% no acumulado do mês até o dia 18, puxado por bairros que combinam infraestrutura consolidada, oferta restrita e forte demanda de investidores. Cinco regiões se destacaram com valorizações entre 2,3% e 3,1% em apenas 30 dias — muito acima da inflação projetada para 2026, que o Banco Central estima em 3,4% no ano.

No topo da lista aparece o bairro de Pinheiros, em São Paulo, com alta de 3,1% no mês. O metro quadrado médio chegou a R$ 15.890, ante R$ 15.410 em agosto. A região se beneficia da entrega de dois novos empreendimentos de uso misto e da retomada das obras da Linha 6-Laranja do metrô, previstas para entrar em operação no primeiro semestre de 2027. "É um movimento estrutural, não conjuntural. Quem comprou há três anos viu o valor do imóvel subir 28% no período", afirma Rafael Fonseca, economista da Abrainc.

No Rio de Janeiro, o bairro da Tijuca surpreendeu com valorização de 2,7% em setembro, alcançando R$ 10.240 por metro quadrado. A retomada do comércio local e a migração de famílias que buscam imóveis maiores, após a consolidação do home office, explicam o avanço. A Secretaria Municipal de Urbanismo registrou aumento de 19% nas licenças para reformas na região no trimestre atual.

Em Belo Horizonte, o bairro de Lourdes lidera com 2,5% de alta no mês e metro quadrado a R$ 12.110. A proximidade com o novo centro administrativo do governo estadual, que começa a receber servidores em outubro, aqueceu a demanda por locação e compra. Já em Curitiba, o bairro do Batel subiu 2,4%, impulsionado pela instalação de duas sedes de multinacionais de tecnologia, que trouxeram 1.200 novos postos de trabalho neste semestre.

Porto Alegre fecha a lista com o bairro do Moinhos de Vento, que registrou valorização de 2,3% em setembro, atingindo R$ 11.450 por metro quadrado. O movimento é puxado pela escassez de terrenos e pela procura de investidores de outras capitais, que veem na região um porto seguro em meio à volatilidade da Bolsa. "O investidor está migrando para ativos reais com renda de aluguel. A taxa de retorno médio nesses bairros gira entre 5,5% e 6,2% ao ano, acima do CDI em alguns casos", explica a consultoria Secovi.

Para o restante de 2026, a tendência é de que esses bairros continuem a se valorizar acima da média, especialmente com a expectativa de queda adicional da Selic na próxima reunião do Copom, em outubro. A projeção do mercado é de que a taxa básica encerre o ano em 9,5%, o que deve estimular ainda mais o crédito imobiliário. Quem pensa em investir deve ficar atento: a janela de oportunidade nesses endereços pode se fechar nos próximos meses, à medida que a demanda se intensifica.

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