Mercado BR

Valorização imobiliária: os 10 campeões do trimestre no Brasil

Enquanto SP e Rio desaceleram, capitais do Nordeste e médias cidades do interior lideram alta de até 5,8%; veja ranking completo e o que esperar até dezembro.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Valorização imobiliária: os 10 campeões do trimestre no Brasil

O segundo trimestre de 2026 consolidou uma virada no mapa imobiliário brasileiro. Dados divulgados nesta semana pela Abrainc e pela FipeZap mostram que as maiores altas de valorização de imóveis residenciais não vieram de São Paulo ou do Rio de Janeiro, mas de capitais do Nordeste e de cidades médias do interior, que registraram aumentos de até 5,8% no período de junho a agosto.

No topo do ranking, João Pessoa surpreendeu com alta de 5,8% no preço médio do metro quadrado, puxada pela expansão do mercado de lazer e pela chegada de novos empreendimentos de alto padrão. Em seguida, aparecem Campinas (5,1%), Fortaleza (4,7%), Curitiba (4,3%) e Goiânia (4,1%). Entre as capitais, São Paulo ficou com 2,9% de valorização no trimestre, enquanto o Rio de Janeiro registrou 2,1% — ambos abaixo da média nacional de 3,4%, segundo o índice FipeZap de agosto.

O que explica esse movimento? Especialistas ouvidos pela reportagem apontam uma combinação de fatores: a contínua migração digital e o home office híbrido seguem incentivando a busca por cidades com melhor qualidade de vida e custo menor. Além disso, no último Copom, realizado em agosto, o Banco Central manteve a Selic em 10,5% ao ano, após um ciclo de cortes que começou em 2025. A taxa ainda elevada, mas estável, permitiu que bancos públicos e privados voltassem a oferecer condições mais agressivas de financiamento imobiliário, especialmente para imóveis de até R$ 1,5 milhão.

Outro dado relevante: o lançamento de novos empreendimentos nessas regiões cresceu 23% no segundo trimestre, conforme levantamento da Secovi-SP e da Abrainc. Isso criou um efeito de oferta e demanda que ajudou a impulsionar os preços. Em Campinas, por exemplo, o distrito de Sousas e a região do Cambuí viram o metro quadrado subir mais de 6% no período, com forte procura por parte de investidores que buscam renda de aluguel — o retorno médio na cidade já alcança 0,55% ao mês, acima da média nacional de 0,48%.

Vídeo relacionado

Para quem está pensando em comprar ou investir, a recomendação dos analistas é clara: o momento é favorável para negociar em cidades que ainda estão em fase de alta moderada, mas com potencial de continuidade. No Nordeste, porém, é preciso atenção à volatilidade — o mercado de João Pessoa, por exemplo, já passou por ciclos de forte valorização seguidos de estagnação. O ideal é buscar imóveis com boa localização e potencial de locação, evitando comprar no pico especulativo.

No campo político, a tramitação do novo marco do saneamento e a reforma tributária, em análise no Congresso nesta semana, podem influenciar o setor até o fim do ano. A reforma, se aprovada, deve simplificar impostos sobre incorporações, o que pode baratear novos projetos e, eventualmente, segurar a alta dos preços. Por ora, a projeção da Abrainc é de que a valorização média nacional feche 2026 entre 12% e 14%, puxada principalmente pelo interior do país.

Fique de olho: nas próximas semanas, o Banco Central divulga o novo boletim Focus, e a FipeZap publica o índice de setembro, que deve confirmar se as capitais do Nordeste continuarão liderando. Se você está considerando investir, use o ranking como ponto de partida, mas faça uma análise local aprofundada — a valorização passada nunca garante o retorno futuro.

#valorização imobiliária#ranking cidades#preço do metro quadrado#mercado imobiliário 2026
0 comentário(s)

Comentários

para comentar.

    Continue lendo