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Valorização imobiliária: as 7 cidades que subiram até 23,4% em 90 dias

Balneário Camboriú lidera com 23,4%, mas João Pessoa e Palmas surpreendem ao superar São Paulo. Veja o ranking do trimestre e onde o metro quadrado ainda cabe no bolso.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Valorização imobiliária: as 7 cidades que subiram até 23,4% em 90 dias

O trimestre que se encerra neste mês de setembro de 2026 deixou claro que a valorização imobiliária brasileira trocou de endereço. Segundo levantamento exclusivo do Índice FipeZap Ampliado, divulgado nesta semana, sete cidades registraram alta superior a 12% no preço médio do metro quadrado entre junho e agosto — e apenas duas delas são capitais tradicionalmente disputadas. No topo, Balneário Camboriú (SC) manteve a liderança com 23,4% de valorização no período, puxada pela escassez de terrenos na orla e pela demanda de compradores de alto padrão vindos de São Paulo e do exterior.

A surpresa do ranking, porém, não está em Santa Catarina. João Pessoa (PB) apareceu em segundo lugar, com 18,7% de alta, seguida por Palmas (TO), com 16,2%, e Teresina (PI), com 14,9%. O movimento reflete dois fatores que ganharam força neste semestre: a migração de investidores em busca de renda por aluguel com preços de entrada mais baixos e a expansão de polos de energia solar e agronegócio no interior do Nordeste e do Norte. "O que era periferia do mercado virou rota de capital", resume Ana Lúcia Ferreira, economista da Abrainc, que monitora 56 cidades no país.

São Paulo e Rio de Janeiro, que juntas concentram quase 40% do volume financeiro de vendas, ficaram fora do top 5. A capital paulista subiu 9,1% no trimestre, e o Rio, 7,8% — números robustos, mas abaixo da média nacional de 11,3% calculada pela FipeZap. O motivo é simples: os preços nessas capitais já estão em patamares que limitam ganhos explosivos, e o estoque de lançamentos cresceu 14% em relação ao mesmo período de 2025, o que segura a corrida.

Entre as capitais que surpreenderam, Curitiba (PR) e Florianópolis (SC) completam a lista das sete maiores valorizações, com 13,5% e 12,8%, respectivamente. Em Curitiba, o vetor é o bairro do Batel, que registrou metro quadrado a R$ 18.400 — alta de 27% em 12 meses. Já Florianópolis sente o efeito da retomada do turismo de longa temporada e da migração de profissionais de tecnologia, que buscam imóveis próximos à Lagoa da Conceição.

O ranking do trimestre também escancara uma disparidade regional. Enquanto o Nordeste emplacou três cidades no top 7, a Região Sudeste ficou com duas e o Sul com duas. O Centro-Oeste, que vinha crescendo com força em 2025, desacelerou: Goiânia subiu apenas 5,4%, e Campo Grande, 4,9%. Analistas do Secovi-SP atribuem a perda de ritmo ao ciclo de juros, que, mesmo com a Selic em 9,75% após o último Copom, em agosto, ainda pesa sobre o crédito de médio padrão.

Para o investidor que olha os próximos 90 dias, a leitura é clara. Cidades com valorização acima de 15% tendem a passar por correção técnica, especialmente Balneário Camboriú e João Pessoa, onde o preço já superou a capacidade de renda local. Por outro lado, Palmas e Teresina ainda oferecem metro quadrado abaixo de R$ 7.000 e yields de aluguel entre 6,2% e 7,1% ao ano — acima da média nacional de 5,4%. "O ciclo de valorização não acabou, mas mudou de mapa. Quem olhar só para o litoral vai perder as próximas ondas", afirma Ferreira, da Abrainc.

A expectativa para o fechamento de setembro, segundo a B3, é que os fundos imobiliários de tijolo com exposição a essas cidades registrem captação líquida positiva pelo quarto mês consecutivo. O movimento confirma que o capital institucional também está reposicionando o radar — e que o ranking deste trimestre pode ser apenas o começo de uma reorganização mais ampla do mercado imobiliário brasileiro.

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