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Valorização imobiliária: as 7 cidades que dispararam até 31% em 90 dias

Levantamento inédito do Secovi-SP e da Abrainc mostra que capitais do Nordeste e do Sul puxaram o ranking no trimestre encerrado em agosto; uma cidade do interior paulista surpreendeu e ficou à frente de São Paulo.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Valorização imobiliária: as 7 cidades que dispararam até 31% em 90 dias

Sete cidades brasileiras registraram valorização imobiliária acima de 18% nos últimos 90 dias, segundo levantamento exclusivo do Secovi-SP com dados da Abrainc e do FipeZap, divulgado nesta semana. O ranking é liderado por João Pessoa, na Paraíba, onde o metro quadrado subiu 31,2% entre junho e agosto de 2026, na esteira da expansão do polo tecnológico da capital e da chegada de dois novos parques industriais. O preço médio na orla pessoense saltou de R$ 8.940 para R$ 11.730 o metro quadrado no período.

Na segunda posição aparece Balneário Camboriú (SC), com alta de 27,8% no trimestre — puxada pela escassez de terrenos na faixa litorânea e pela demanda recorde de compradores de São Paulo e do exterior. O metro quadrado na cidade catarinense, que já era o mais caro do país, chegou a R$ 24.190, ultrapassando o eixo Jardins–Itaim, em São Paulo, onde o valor ficou em R$ 23.870. É a primeira vez que um município fora de uma capital lidera o ranking nacional de preço por metro quadrado, segundo o FipeZap.

Florianópolis (24,5%), Vitória (22,1%), Curitiba (20,7%), Goiânia (19,4%) e São José dos Campos (18,9%) completam a lista. O caso da cidade do interior paulista chama atenção: a valorização foi impulsionada pela instalação de um centro de dados de grande porte e pela duplicação de um trecho da Rodovia Presidente Dutra, que reduziu o tempo de deslocamento até a capital para menos de uma hora. Em São Paulo, a valorização média ficou em 11,3%, abaixo da média nacional de 14,6% no trimestre.

O movimento ocorre em um ambiente de juros ainda restritivos. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 9,75% ao ano na última reunião, em 2 de setembro, mas sinalizou cortes graduais a partir do quarto trimestre. Para o economista-chefe da Abrainc, a combinação de juros em queda lenta com a escassez de mão de obra na construção civil deve manter a pressão sobre os preços nas capitais menores, onde a oferta de lançamentos cresceu apenas 4,2% no ano, contra 12,8% em 2025.

A Anbima aponta que os fundos de investimento imobiliário (FIIs) de tijolo tiveram captação líquida de R$ 3,4 bilhões em agosto, o maior volume desde novembro de 2024. Boa parte desse capital foi direcionada a ativos em João Pessoa, Vitória e Goiânia, segundo relatório da B3. O movimento sugere que o investidor pessoa física está migrando para praças com preço de entrada menor e potencial de valorização mais rápido do que os grandes centros.

Para quem pensa em comprar agora, a recomendação de especialistas é cautela. Cidades que sobem mais de 20% em um trimestre costumam corrigir parte do movimento nos seis meses seguintes, especialmente se a Selic cair menos que o esperado. O conselho é priorizar imóveis de dois dormitórios em regiões com infraestrutura consolidada e evitar lançamentos na planta em áreas sem histórico de liquidez. A próxima reunião do Copom, em 4 de novembro, deve ser o termômetro para saber se o ciclo de valorização continua acelerado ou entra em compasso de espera.

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