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Valorização imobiliária: as 5 cidades que subiram até 18% em 3 meses

Ranking do trimestre traz surpresas fora do eixo Rio-São Paulo e acende alerta para quem espera para comprar: em três capitais, o metro quadrado passou de R$ 12 mil.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Valorização imobiliária: as 5 cidades que subiram até 18% em 3 meses

Cinco cidades brasileiras registraram valorização imobiliária acima de 12% no terceiro trimestre de 2026, segundo levantamento exclusivo do Índice FipeZap+ em parceria com a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), divulgado nesta semana. O ranking é liderado por Balneário Camboriú (SC), com alta de 18,3% no acumulado de julho a setembro, seguida por João Pessoa (PB), com 15,7%, São José dos Pinhais (PR), com 14,2%, Goiânia (GO), com 13,8%, e Florianópolis (SC), com 12,1%. No mesmo período, a média nacional ficou em 5,4%, puxada para cima justamente por esses polos regionais.

O movimento surpreende quem ainda olha só para Rio e São Paulo. Na capital paulista, a valorização trimestral foi de 3,9%; no Rio, de 4,6%. "O ciclo de juros altos por mais tempo do que o esperado empurrou o investidor para cidades com metro quadrado abaixo de R$ 10 mil e infraestrutura urbana em expansão", explica Renata Lacerda, economista-chefe da Abrainc. Em Balneário Camboriú, o metro quadrado médio já bate R$ 18,4 mil — o mais caro do país, à frente do Leblon (RJ), que registrou R$ 17,9 mil.

O ranking também revela um fenômeno novo: a interiorização dos fundos imobiliários. Segundo dados da B3 compilados pelo Secovi-SP, 27% dos novos FIIs de tijolo lançados neste trimestre têm ativos fora das capitais tradicionais — em cidades médias como São José dos Pinhais, Ribeirão Preto e Palmas. "O investidor pessoa física está migrando para praças onde o cap rate ainda passa de 8% ao ano", afirma o analista Marco Túlio Andrade, da Genial Investimentos.

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O avanço da Selic, que o Copom manteve em 11,25% na reunião de agosto, ainda pressiona o financiamento habitacional. O crédito imobiliário com recursos da poupança subiu para 10,8% ao ano mais TR nos principais bancos, o que encarece a parcela. Mesmo assim, a procura por imóveis nessas cinco cidades cresceu 22% em relação ao mesmo trimestre de 2025, segundo a Loft. "Quem espera a taxa cair para comprar pode encontrar o metro quadrado 15% mais caro daqui a seis meses", alerta Lacerda.

Para o investidor, a leitura é clara: a valorização acelerada fora do eixo tradicional abre janela de ganho de capital, mas exige cautela com estoque. Em Balneário Camboriú, há 12,3 mil unidades em construção — o equivalente a quase três anos de vendas no ritmo atual. Já em João Pessoa, o estoque é de apenas 4,1 mil unidades, o que sustenta preços por mais tempo. A recomendação de especialistas é priorizar cidades com geração de emprego formal acima da média nacional e obras de mobilidade já licitadas.

O Congresso também entra na conta: a MP 1.342/2026, que tramita na Câmara e pode sair do papel até outubro, prevê isenção de IR sobre ganho de capital na venda de imóveis comprados até dezembro de 2025 — o que pode destravar uma onda de vendas justamente nessas praças. Enquanto isso, os números do trimestre mostram que o mapa da valorização mudou de endereço. Ficar de olho nas próximas atualizações do índice, que saem em dezembro, será decisivo para quem pretende comprar antes que os preços se acomodem — ou para quem prefere vender no topo.

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