Valorização imobiliária: as 5 cidades que dispararam até 28% em um trimestre
Balneário Camboriú lidera com 28,4%, seguida por São Paulo (14,2%) e Florianópolis (12,8%). O levantamento exclusivo mostra onde o metro quadrado está subindo mais rápido — e por que isso pode encarecer seu próximo financiamento.

O terceiro trimestre de 2026 está sendo marcado por uma valorização imobiliária acima do esperado em cinco cidades brasileiras. Segundo o Índice FipeZap Ampliado, divulgado nesta semana, Balneário Camboriú (SC) registrou alta de 28,4% no preço médio do metro quadrado entre junho e agosto, o maior avanço entre os 56 municípios monitorados. Na sequência aparecem São Paulo (14,2%), Florianópolis (12,8%), Vitória (11,5%) e Goiânia (10,3%). No acumulado de 12 meses, a valorização média nacional chegou a 9,7%, bem acima da inflação projetada pelo Boletim Focus do Banco Central para 2026, de 4,1%.
O movimento é puxado por uma combinação de juros em queda e crédito mais farto. Na última reunião, em 2 de setembro, o Copom reduziu a Selic para 8,75% ao ano, o menor patamar desde 2020, e sinalizou novo corte de 0,5 ponto em novembro. Com isso, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança já são oferecidos a taxas a partir de 9,2% ao ano mais TR, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip). O resultado é um volume recorde de R$ 312 bilhões em crédito imobiliário concedido entre janeiro e agosto, alta de 23% sobre igual período de 2025.
Balneário Camboriú, que já ostenta o metro quadrado mais caro do país — R$ 18.900 em média, de acordo com a FipeZap —, viu a demanda explodir com o avanço das obras do novo terminal de cruzeiros e a chegada de dois resorts de bandeira internacional. "O estoque de lançamentos na cidade está em 7 meses, o menor da história. Isso pressiona os preços de forma estrutural", afirma Renata Tavares, economista da Abrainc. Em São Paulo, a alta de 14,2% é liderada por bairros como Vila Olímpia, Pinheiros e Barra Funda, impulsionados pela entrega da linha 6-Laranja do metrô, prevista para o primeiro semestre de 2027.
Florianópolis aparece em terceiro lugar com 12,8%, reflexo da migração de empresas de tecnologia para a capital catarinense e da escassez de terrenos na região central. Vitória, por sua vez, surpreende com 11,5% após anos de estagnação, beneficiada pela retomada do setor de óleo e gás e pela valorização do Porto de Tubarão. Goiânia completa a lista com 10,3%, impulsionada pelo agronegócio e pela expansão do polo farmacêutico.
Para quem pensa em comprar, o cenário exige atenção. A valorização acelerada já começa a pressionar o orçamento das famílias: em São Paulo, uma unidade de 70 m² na Vila Olímpia que custava R$ 980 mil em janeiro agora é negociada por R$ 1,12 milhão. O aumento de 14,2% no preço médio significa uma parcela inicial cerca de R$ 620 maior no financiamento em 30 anos, considerando entrada de 20%. Em Balneário Camboriú, o salto é ainda mais brutal: o mesmo apartamento de dois dormitórios que saía por R$ 850 mil no início do ano hoje pede R$ 1,09 milhão.
Especialistas alertam que parte dessa valorização pode ser especulativa. "Cidades com alta dependência de turismo ou de um único setor econômico tendem a corrigir mais rápido em caso de reversão do ciclo de juros", pondera o consultor financeiro Marcelo Andrade, da Anbima. Ele recomenda cautela com lançamentos na planta em regiões periféricas dessas cidades, onde a liquidez de revenda é menor.
A tendência para o quarto trimestre é de acomodação gradual. O Banco Central projeta Selic terminal em 8,0% até dezembro, o que deve sustentar a demanda, mas o aumento do custo da construção civil — o INCC acumula alta de 7,9% em 12 meses — pode limitar novos lançamentos. Para o investidor, o recado é claro: as janelas de oportunidade estão se fechando nas capitais litorâneas, enquanto cidades médias do interior, como Ribeirão Preto, Londrina e Uberlândia, começam a despontar com valorizações entre 6% e 8% no trimestre — números mais modestos, porém com risco menor de bolha.


