Valorização imobiliária: as 5 cidades que dispararam até 18% no trimestre
Levantamento exclusivo com dados do FipeZap mostra que capitais do Nordeste e do Sul lideram os ganhos, enquanto São Paulo desacelera. Veja o ranking completo e onde ainda dá tempo de entrar.

Cinco cidades brasileiras registraram valorização imobiliária acima de 12% no terceiro trimestre de 2026, segundo levantamento exclusivo obtido pelo Perspectiva Imobiliária com base no Índice FipeZap de setembro, divulgado nesta semana. João Pessoa lidera com alta de 18,3% no acumulado de julho a setembro, seguida por Curitiba (15,1%), Maceió (14,7%), Florianópolis (13,9%) e Goiânia (12,4%). O movimento contrasta com a média nacional de 7,2% no período — e com a estagnação de São Paulo, que subiu apenas 2,1%.
O desempenho paraibano surpreende até quem acompanha o mercado de perto. "João Pessoa virou polo de migração interna e de aposentados que buscam custo de vida menor com infraestrutura urbana de capital", explica Renata Lopes, economista da Abrainc. O metro quadrado na orla de Cabo Branco saltou de R$ 9.800 em junho para R$ 11.600 neste mês, segundo a Secovi-PB. Curitiba, por sua vez, se consolida como hub de tecnologia e atrai investidores institucionais: o estoque de lançamentos na capital paranaense cresceu 23% no trimestre, com destaque para os bairros Água Verde e Batel.
No Nordeste, Maceió e Florianópolis seguem a mesma lógica de valorização puxada por turismo e renda remota. A capital alagoana registrou aumento de 31% na busca por imóveis de temporada desde junho, segundo a plataforma QuintoAndar. Já Florianópolis enfrenta um fenômeno curioso: a escassez de terrenos na região central empurrou compradores para Palhoça e São José, na Grande Florianópolis, onde os preços subiram 11% no mesmo intervalo.
Goiânia completa o ranking impulsionada pelo agronegócio. O PIB goiano deve crescer 4,8% em 2026, projeção do Banco Central, e parte desse excedente está sendo convertida em imóveis de alto padrão. "É o famoso efeito soja: o produtor vende a safra e compra apartamento na capital", resume o consultor de investimentos imobiliários Marcelo Tavares. O metro quadrado na região do Bueno, em Goiânia, chegou a R$ 8.900, alta de 14% em três meses.
O contraste com São Paulo é o dado que mais chama atenção. A capital paulista viu sua valorização trimestral cair de 4,3% no primeiro trimestre para 2,1% agora, reflexo do estoque elevado de unidades novas e da Selic ainda em 9,75% ao ano. "O investidor está migrando para praças com preço de entrada menor e potencial de retorno mais rápido", avalia Lopes. Rio de Janeiro e Belo Horizonte também desaceleraram, com altas de 2,8% e 3,1%, respectivamente.
Para quem pensa em entrar agora, especialistas recomendam atenção ao prazo de maturação. Cidades como João Pessoa e Maceió vivem um ciclo de valorização acelerada que tende a arrefecer em 12 a 18 meses, quando a oferta de novos empreendimentos atingir o mercado. Já Curitiba e Florianópolis apresentam fundamentos mais sólidos — geração de emprego e renda acima da média nacional —, o que sustenta ganhos por mais tempo. A dica é fugir de lançamentos com preço já embutindo ágio excessivo e priorizar imóveis prontos ou em construção com entrega em até dois anos.
O cenário para o quarto trimestre depende diretamente do Copom, que se reúne em outubro. Se a Selic cair para 9,25%, como projeta o mercado, a tendência é de aceleração nas cidades médias e retomada gradual nos grandes centros. Enquanto isso, o ranking deste trimestre deixa claro: a valorização imobiliária no Brasil deixou de ser fenômeno de metrópole e passou a ser jogo de quem enxerga oportunidade onde o metro quadrado ainda cabe no bolso.


