Valorização imobiliária: 5 cidades que dispararam no 2º trimestre de 2026
Enquanto a média nacional subiu 2,1%, estas cidades registraram altas de até 9,8% – descubra quais são os fatores que aceleraram essas valorizações.

Números recém-divulgados pela Abrainc nesta semana mostram que, mesmo com a Selic em 12,75% ao ano após a última reunião do Copom, alguns mercados imobiliários brasileiros quebraram a tendência de acomodação. O Índice Abrainc-Fipe de Valorização Imobiliária do segundo trimestre de 2026 aponta que, enquanto a média nacional avançou 2,1% no período, cinco cidades de médio e grande porte registraram altas expressivas que chamaram atenção de investidores.
Liderando o ranking está Campinas (SP), com impressionantes 9,8% de valorização entre abril e junho – impulsionada pela consolidação de um polo tecnológico e pela chegada de novos moradores vindos da capital paulista. Em seguida, Goiânia (GO) surpreendeu com 8,2%, beneficiada pelo agronegócio e por programas de habitação popular que atraíram construtoras de grande porte. Joinville (SC) apareceu em terceiro lugar, com 7,5%, puxada pela indústria naval e pela alta demanda por imóveis de alto padrão.
Entre as capitais, Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC) fecharam o ranking com valorizações de 6,9% e 6,1%, respectivamente. Em Fortaleza, a expansão da orla e os investimentos em infraestrutura turística têm sido os principais vetores; já na capital catarinense, a escassez de terrenos na região continental empurrou os preços para cima em bairros como Santo Antônio de Lisboa e Jurerê Internacional – onde o metro quadrado já ultrapassa os R$ 15 mil, segundo dados do Secovi-SC.
O economista-chefe da Abrainc, Pedro Dutra, afirma que esse movimento não é aleatório: “As cidades que mais valorizaram compartilham três características: mercado de trabalho aquecido, oferta limitada de lançamentos e forte migração interna”. Ele ressalta ainda que o financiamento imobiliário segue como aliado, com a Caixa Econômica Federal tendo aprovado R$ 42 bilhões em crédito no primeiro semestre – alta de 18% em relação ao mesmo período de 2025.
Para o investidor, a leitura é clara: diversificar fora dos grandes centros pode ser mais lucrativo no curto prazo. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro acumulam valorização de 4,7% e 3,2% no mesmo trimestre, cidades como as citadas oferecem um potencial de retorno quase duas vezes maior – mas com riscos de liquidez que devem ser avaliados caso a caso.
Também merece destaque o desempenho de cidades médias como São José do Rio Preto (SP), com alta de 5,5%, e Caxias do Sul (RS), que subiu 4,9% puxada pela reconstrução pós-enchentes e pela chegada de novas indústrias. Analistas do setor creditam parte desse movimento à migração de investidores que, com a alta dos juros, buscam ativos mais baratos e com maior potencial de renda – seja via aluguel, seja via revenda.
A conclusão prática é que o trimestre atual (julho a setembro) deve seguir a mesma toada, mas com ritmo mais moderado. A pesquisa FipeZap de agosto já indica leve desaceleração na maioria das praças, por isso o momento é de pesquisa criteriosa. Para quem busca maximizar a valorização, o caminho passa por avaliar indicadores como estoque de imóveis, taxa de emprego local e projetos de infraestrutura em andamento – antes de fechar qualquer negócio.


