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Valorização imobiliária: 5 cidades que dispararam até 18,7% em 3 meses

Enquanto São Paulo desacelera, Chapecó, Palmas e outras quatro cidades surpreendem com a maior alta do trimestre, segundo o Índice FipeZap de agosto. Veja o ranking e onde ainda dá tempo de entrar.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Valorização imobiliária: 5 cidades que dispararam até 18,7% em 3 meses

Enquanto o mercado imobiliário das grandes capitais começa a dar sinais de acomodação, uma lista seleta de cidades brasileiras segue registrando valorização de dois dígitos em apenas três meses. Segundo o Índice FipeZap de Preços de Imóveis Anunciados, divulgado nesta semana, Chapecó (SC) lidera o ranking com alta de 18,7% no trimestre encerrado em agosto, seguida por Palmas (TO), com 15,2%, e Rio Verde (GO), com 13,9%. O levantamento considera preços de venda de apartamentos prontos em 56 municípios monitorados.

O fenômeno não é isolado. Cidades médias do interior, especialmente aquelas ligadas ao agronegócio e à expansão de polos industriais, vêm atraindo investidores que buscam fugir dos preços já esticados de São Paulo e Rio de Janeiro. Chapecó, por exemplo, viu o metro quadrado saltar de R$ 4.980 para R$ 5.910 no período, impulsada pela instalação de novas plantas frigoríficas e pela chegada de profissionais qualificados. "É um movimento consistente, não é bolha. A demanda é real e a oferta de terrenos ainda é limitada", avalia a economista Ana Lúcia Menezes, da Abrainc.

Na outra ponta, São Paulo registrou alta de apenas 2,3% no trimestre, a menor variação desde 2023. O Rio de Janeiro ficou praticamente estável, com 0,8%, enquanto Belo Horizonte subiu 3,1%. A desaceleração nas metrópoles reflete o efeito acumulado da Selic, que o Copom manteve em 9,75% na reunião da semana passada, e o encarecimento do crédito imobiliário. Para o Secovi-SP, o movimento é natural após anos de valorização acima da inflação.

O ranking trimestral é dominado por cidades que combinam três fatores: crescimento populacional acima da média nacional, geração de empregos formais e estoque reduzido de imóveis prontos. Palmas, por exemplo, viu sua população crescer 2,8% em 12 meses, segundo o IBGE, e hoje tem apenas 1,2 mil unidades disponíveis para venda — menos da metade do que há dois anos. Rio Verde (GO) segue o mesmo roteiro, impulsionada pelo agronegócio e pela chegada de empresas de tecnologia.

Para o investidor, o alerta é não entrar atrasado. Cidades que já subiram 15% em três meses tendem a desacelerar nos próximos trimestres, segundo projeções da Anbima. A recomendação é olhar para municípios que ainda estão no início do ciclo, como Petrolina (PE), com alta de 7,4%, e Maringá (PR), com 6,8%. "O ganho real está em quem entra antes da curva, não depois", resume Menezes.

O Índice FipeZap também mostra que o aluguel segue pressionado nessas cidades. Em Chapecó, o aluguel residencial subiu 22% em 12 meses, muito acima da inflação. Isso tem atraído investidores focados em renda, mas também acende o alerta para o risco de inadimplência. Em Palmas, a taxa de vacância caiu para 4,1%, a menor do país, segundo a Abrainc.

Para os próximos meses, a expectativa é que a valorização continue, mas em ritmo menor. Com a Selic sinalizando queda gradual a partir do quarto trimestre, o crédito pode voltar a fluir, aquecendo justamente as cidades que hoje estão fora do radar. Quem esperar demais pode encontrar preços 10% ou 15% maiores — ou, pior, não encontrar mais estoque disponível.

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