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Urgente: Golpe da Carta Contemplada Viraliza e Já Causou R$ 52 Milhões em Prejuízos em Setembro

Consórcios falsos de imóveis e carros usam deepfakes de influenciadores e prometem contemplação imediata. Vítimas relatam perdas médias de R$ 38 mil; Polícia Federal já prendeu 14 suspeitos nesta semana.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Urgente: Golpe da Carta Contemplada Viraliza e Já Causou R$ 52 Milhões em Prejuízos em Setembro

Um golpe que simula cartas de crédito de consórcios contemplados está se espalhando como fogo no Brasil neste mês de setembro. Batizado de "Golpe da Carta Contemplada", o esquema já acumula prejuízos de R$ 52 milhões em apenas três semanas, segundo levantamento exclusivo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) obtido com exclusividade. A modalidade, que mistura fraude digital e pirâmide financeira, tem como alvo principal famílias de classe média que buscam realizar o sonho da casa própria ou trocar de carro.

A mecânica é sofisticada: os criminosos criam sites e perfis falsos que imitam grandes administradoras de consórcio, como Porto Seguro, Itaú e Bradesco. Usando deepfakes de influenciadores digitais e até de apresentadores de TV, eles prometem contemplação imediata para cartas de R$ 80 mil a R$ 500 mil. A vítima é induzida a pagar uma "taxa de liberação" ou "entrada facilitada" que varia de R$ 5 mil a R$ 50 mil. Depois do pagamento, os golpistas desaparecem. "É uma engenharia social que explora o sonho do imóvel próprio, ainda mais num momento de juros altos. A pessoa vê uma oportunidade única e não percebe que está entrando numa armadilha", explica Ana Paula Bastos, diretora de prevenção da CNDL.

O esquema começou a viralizar no fim de agosto, após uma série de vídeos no TikTok e no Instagram que mostravam supostos sortudos exibindo cartas de crédito e imóveis recém-adquiridos. Em setembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Falso Crédito, que cumpriu 14 mandados de prisão em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. Os investigados movimentaram R$ 52 milhões em contas laranja nos últimos 45 dias. "Identificamos que parte do dinheiro era usada para pagar vítimas antigas, o que caracteriza pirâmide financeira. É um golpe que se retroalimenta", afirma o delegado Ricardo Menezes, responsável pela operação.

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Além do prejuízo financeiro, as vítimas enfrentam um labirinto jurídico. Muitas assinam contratos falsos que simulam termos de adesão a consórcios reais. "A pessoa só descobre que foi enganada quando tenta usar a carta e o administrador verdadeiro não reconhece o documento. Aí já perdeu o dinheiro e, em alguns casos, teve os dados usados para abrir contas em seu nome", alerta a advogada especializada em direito do consumidor, Cláudia Ramos. Segundo o Procon-SP, só na primeira quinzena de setembro foram registradas 1.240 reclamações relacionadas ao golpe, um aumento de 780% em relação a agosto.

O Banco Central emitiu um alerta na última terça-feira (15) sobre a atuação de instituições financeiras não autorizadas que estariam captando recursos para supostos consórcios. A autarquia reforçou que nenhuma administradora pode prometer contemplação imediata e que a compra de cartas contempladas deve ser feita exclusivamente por meio de empresas registradas na B3. "O consumidor precisa desconfiar de ofertas milagrosas. Consórcio é uma modalidade regulada e a contemplação depende de sorteio ou lance, nunca de pagamento de taxa extra", destaca o comunicado do BC.

Para se proteger, especialistas recomendam verificar sempre o CNPJ da supostamente administradora no site da B3 e no Banco Central, desconfiar de promessas de retorno rápido e nunca transferir dinheiro para contas de pessoas físicas. "Se a oferta parece boa demais, é porque é golpe. E se alguém pede urgência, é sinal de que quer que você não pense", finaliza Ana Paula Bastos. A Polícia Federal estima que o número de vítimas pode passar de 3.500 em todo o país, e novos mandados devem ser cumpridos nas próximas semanas.

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