Curiosidades

Tijolo de R$ 1,2 milhão vira recorde mundial em leilão curioso nos EUA

O lote 88-A foi anunciado como 'possivelmente o primeiro tijolo de uma casa construída em 1873' e superou o recorde anterior, de US$ 185 mil, pago por um tijolo da demolição do Estádio de Wembley em 2024.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Tijolo de R$ 1,2 milhão vira recorde mundial em leilão curioso nos EUA

Um tijolo comum, de barro, sem qualquer revestimento especial, foi arrematado na noite desta quarta-feira (10) por US$ 212 mil — cerca de R$ 1,2 milhão na cotação atual — em um leilão beneficente realizado em Chicago, nos Estados Unidos. O valor transformou o objeto no tijolo mais caro já vendido em um leilão público, segundo a casa Christie's, que organizou o evento. O recorde anterior pertencia a um tijolo resgatado da demolição do antigo Estádio de Wembley, em Londres, vendido em 2024 por US$ 185 mil.

O fascínio pelo lote 88-A tem origem na documentação que o acompanha: segundo os organizadores, ele pertence à primeira fileira de tijolos assentados na fundação de uma casa em Michigan construída em 1873, um dos primeiros imóveis residenciais do estado a usar tijolos produzidos em escala industrial. O comprador, um colecionador anônimo de memorabilia arquitetônica, pagou o lance por telefone e não quis se identificar. A casa original foi demolida em 2023 para dar lugar a um condomínio, e apenas 12 tijolos foram preservados.

O fenômeno não é isolado. Nos últimos 12 meses, leilões de itens ligados à construção civil e ao mercado imobiliário histórico movimentaram US$ 47 milhões globalmente, segundo levantamento da Art Market Research divulgado neste mês. No Brasil, a Sotheby's realizou em junho um leilão de maçanetas e azulejos do antigo Edifício A Noite, no Rio, que arrecadou R$ 3,8 milhões — o triplo da estimativa inicial. A procura por objetos que contam a história da construção virou um nicho disputado por investidores que enxergam neles um ativo de coleção com liquidez crescente.

"Há uma demanda reprimida por tangibilidade. Em um mundo de ativos digitais, o tijolo é o oposto do bitcoin: pesa, envelhece e guarda memória", explica a curadora americana Helen Marsh, responsável pelo catálogo do leilão. Ela lembra que o mercado de memorabilia arquitetônica cresceu 320% desde 2020, impulsionado por compradores entre 35 e 50 anos que também investem em imóveis físicos.

No Brasil, o mercado de leilões imobiliários segue outro ritmo. Dados da Anbima mostram que as vendas de imóveis em leilão cresceram 18% no primeiro semestre de 2026, para R$ 14,2 bilhões, mas o foco continua sendo o metro quadrado, não a relíquia. Ainda assim, leiloeiras brasileiras começam a testar lotes de curiosidades: a Mega Leilões, de São Paulo, vendeu em agosto uma placa original do Edifício Copan por R$ 62 mil.

Para o colecionador que desembolsou R$ 1,2 milhão no tijolo de Michigan, o retorno pode vir da própria narrativa. Itens com documentação histórica completa tendem a se valorizar 8% a 12% ao ano, segundo a Art Market Research — desempenho próximo ao de imóveis premium em capitais como São Paulo, onde o metro quadrado subiu 9,4% nos últimos 12 meses, de acordo com o Fipezap. A diferença é que o tijolo não paga IPTU, condomínio nem manutenção. Curiosidade ou não, o recorde desta semana mostra que, no mercado de colecionismo, até o barro mais simples pode virar ativo de milhões.

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