Política

SP aprova revisão do zoneamento e libera 18 andares na periferia; veja onde

Projeto que passou em primeira votação nesta terça (15) amplia gabarito em 22 bairros da capital e pode valorizar terrenos em até 50%. Entenda o que muda no seu quarteirão.

Redação Perspectiva Imobiliária·
SP aprova revisão do zoneamento e libera 18 andares na periferia; veja onde

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta terça-feira (15), em primeira votação, a revisão do zoneamento que amplia o gabarito máximo de 8 para 18 andares em 22 bairros da periferia e de bairros intermediários da cidade. O projeto, enviado pelo Executivo em agosto, recebeu 34 votos favoráveis e 18 contrários. A segunda votação está prevista para o dia 29 de setembro, e a sanção do prefeito pode ocorrer já na primeira semana de outubro. A proposta altera a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS) e afeta diretamente quem tem terreno ou imóvel nessas regiões.

Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo, a mudança atinge eixos de transporte como as avenidas Radial Leste, Francisco Morato e a futura estação do metrô na Vila Sônia. A justificativa é estimular a habitação de interesse social e reduzir o déficit de 380 mil moradias na capital. Na prática, terrenos que hoje comportam prédios de até 8 pavimentos poderão receber torres de 18 andares, desde que destinem ao menos 30% das unidades para faixa de renda de até 3 salários mínimos. O mercado imobiliário reagiu rápido: corretores relatam aumento de 15% no preço pedido por terrenos nessas áreas nas últimas duas semanas, segundo levantamento do Secovi-SP obtido com exclusividade.

Para o investidor pessoa física, o efeito pode ser sentido de duas formas. A primeira é a valorização de terrenos e imóveis antigos nesses bairros, que viram alvo de incorporadoras. A segunda é o aumento do potencial construtivo, que pode elevar o valor de venda de um apartamento novo em até 40% em três anos, na avaliação da Abrainc. “O mercado já precifica essa mudança. Quem tem um terreno de 500 m² na Radial Leste, por exemplo, pode ver o valor saltar de R$ 1,2 milhão para R$ 1,8 milhão”, afirma a economista Paula Mendes, da Fipezap.

Nem tudo é consenso. Entidades de moradores de bairros como Santana e Tatuapé criticam o impacto na infraestrutura e o risco de adensamento sem contrapartida. O vereador relator do projeto, Carlos Eduardo Oliveira, prometeu incluir emendas que exigem contrapartidas viárias e mais áreas verdes. A prefeitura estima que a revisão pode destravar R$ 12 bilhões em investimentos privados até 2029. Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que o efeito no bolso depende da velocidade da aprovação e da capacidade do poder público de acompanhar a demanda por água, esgoto e transporte.

Enquanto a segunda votação não chega, quem pensa em comprar ou vender deve ficar atento ao Diário Oficial. A recomendação de analistas é verificar o novo mapa de zoneamento no site da prefeitura e simular o potencial construtivo do terreno com um arquiteto. Para quem já tem imóvel na região, a dica é não vender na euforia: a valorização tende a se consolidar nos próximos 18 meses, quando os primeiros projetos forem lançados. A Câmara promete realizar audiências públicas nos dias 22 e 24 de setembro para debater as emendas. O texto final pode sofrer ajustes, mas a base da proposta já está garantida.

#zoneamento#São Paulo#mercado imobiliário
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