Selo 'Imóvel Neutro em Carbono' vira febre e bate recorde de emissões no Brasil
Mais de 120 mil unidades receberam o selo Net Zero em 2026, crescimento de 300% sobre 2025. A novidade está movimentando o mercado de créditos de carbono imobiliários.

Em meio à corrida por sustentabilidade, o mercado imobiliário brasileiro registrou um marco inédito nesta semana: o selo 'Imóvel Neutro em Carbono' (Net Zero) alcançou a marca de 120 mil unidades certificadas em todo o país desde o início de 2026. O número representa um crescimento de 300% em relação ao total de 2025, quando 30 mil imóveis receberam a certificação.
A certificação, emitida pelo Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) em parceria com a B3, exige que a edificação compense integralmente suas emissões de gases de efeito estufa por meio da compra de créditos de carbono ou da geração própria de energia limpa. 'É a primeira vez que vemos esse volume de imóveis certificados em tão pouco tempo. A demanda disparou após o Copom de maio, que vinculou linhas de crédito imobiliário a juros menores para projetos sustentáveis', explica o economista-chefe do Secovi-SP, Pedro Almeida.
Dados do Índice FipeZap de julho mostram que os imóveis com selo Net Zero valorizaram, em média, 12% a mais que os convencionais no primeiro semestre de 2026, impulsionando o interesse de incorporadoras. A construtora Even, por exemplo, anunciou nesta semana que todos os seus lançamentos a partir de agosto terão a certificação. 'É a nova fronteira do mercado. O cliente quer saber de onde vem a energia do prédio, como é o descarte de resíduos', disse o CEO da empresa, Fernando Giaquinto, em evento da Abrainc.
O recorde, contudo, levanta uma curiosidade: o Brasil já emitiu mais de 2 milhões de créditos de carbono ligados a imóveis neste ano, volume que supera o de países como Alemanha e Japão. A B3 registrou em junho o maior volume de negociação de créditos imobiliários desde a criação do mercado, em 2022. Para a analista de sustentabilidade da Anbima, Renata Fonseca, o movimento é reflexo de regras mais claras do Banco Central, que passou a exigir relatórios de pegada de carbono para financiamentos a partir de 2025.
Mesmo com o avanço, especialistas alertam para a necessidade de padronização das métricas. 'O selo é um bom começo, mas precisamos garantir que os créditos comprados sejam de projetos realmente adicionais e verificados', pondera Fonseca. O Congresso analisa, neste mês, o PL 5.234/2026, que cria o marco legal do mercado de carbono no Brasil, com regras específicas para o setor imobiliário.
Para quem investe ou mora em imóveis, o recado é claro: a neutralidade de carbono deixou de ser tendência e virou realidade de mercado. E o recorde de emissões de selos Net Zero mostra que a economia verde chegou para ficar no Brasil.


