Selic mantida em 8,5% ao ano: impacto no financiamento imobiliário nesta semana
A decisão do Copom de manter a taxa básica de juros em 8,5% ao ano, anunciada na quarta-feira (17), mantém estáveis as taxas do crédito imobiliário. Especialistas avaliam que o patamar atual favorece a demanda por imóveis, mas alertam para a alta dos preços.

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na última quarta-feira (17), manter a Selic em 8,5% ao ano. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, interrompe o ciclo de cortes que vinha desde o início do ano e sinaliza cautela diante da inflação de serviços, que subiu 0,15% em junho, segundo o IPCA-15.
Para o financiamento imobiliário, a manutenção da Selic significa que as taxas praticadas pelos bancos devem permanecer estáveis no curto prazo. Atualmente, a Caixa Econômica Federal opera com taxas a partir de 9,99% ao ano para imóveis no SFH, enquanto o Itaú oferece 10,5% ao ano para o SFI. Segundo a Abrainc, o volume de financiamentos cresceu 18% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, impulsionado pela renda das famílias.
A taxa de juros real, descontada a inflação, continua em terreno positivo, estimulando a poupança e mantendo a atratividade dos investimentos em FIIs. O índice FIPEZAP de preços de imóveis residenciais subiu 0,8% em junho, acumulando alta de 6,5% no ano. Para o presidente do Secovi-SP, Renato Celso de Almeida, a estabilidade da Selic é um sinal de que o mercado imobiliário deve manter o ritmo de vendas no segundo semestre.
No entanto, a manutenção dos juros também pressiona o custo do crédito para incorporadoras, que financiam seus projetos com recursos do mercado de capitais. A B3 registrou, em junho, emissões de CRIs no valor de R$ 2,3 bilhões, volume 12% inferior ao de maio, reflexo da incerteza sobre a trajetória dos juros. A Anbima projeta que o mercado de capitais imobiliário cresça 8% em 2026, abaixo dos 15% de 2025.
Para quem está pensando em comprar um imóvel, a recomendação dos analistas é aproveitar as taxas atuais, mas negociar prazos e condições com os bancos. A poupança continua sendo a principal fonte de recursos para o SFH, com captação líquida de R$ 12 bilhões no primeiro semestre, segundo dados do Banco Central. Com a Selic parada, a tendência é que a caderneta mantenha rentabilidade atrativa.
Em resumo, a manutenção da Selic em 8,5% ao ano traz previsibilidade ao mercado imobiliário, mas o cenário exige atenção à inflação e ao custo do crédito para incorporadoras. A decisão do Copom deixa a porta aberta para um novo corte em setembro, caso a inflação perca força.


