Selic em 2026: como a taxa de juros vai impactar o financiamento imobiliário
A Selic deve encerrar 2026 em 10,50% ao ano, segundo o último Boletim Focus. Para quem sonha com a casa própria, cada ponto percentual na taxa básica pode significar milhares de reais a mais ou a menos nas parcelas do financiamento.

A trajetória da Selic é uma das principais preocupações de quem planeja financiar um imóvel. Para 2026, as projeções do mercado indicam uma taxa básica de juros ao redor de 10,50% ao ano, de acordo com o Boletim Focus do Banco Central. Esse patamar, embora inferior aos mais de 13% vistos em 2025, ainda representa um custo elevado para o crédito imobiliário.
De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip), a Selic tem correlação direta com as taxas de juros praticadas nos financiamentos. Quando a Selic sobe, os bancos tendem a repassar o aumento para o tomador final. Com a Selic em 10,50%, a taxa média do crédito imobiliário com recursos da poupança pode ficar entre 9% e 11% ao ano, dependendo do perfil do cliente e do LTV (Loan to Value).
“Para cada 1 ponto percentual de alta na Selic, estima-se que a parcela de um financiamento de R$ 300 mil em 30 anos aumente cerca de R$ 200”, explica o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci. Isso significa que, se a Selic cair para 9% em 2027, o mesmo financiamento poderia ter uma redução de aproximadamente R$ 300 por mês.
O impacto, no entanto, não é linear para todos os compradores. Quem financia pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) com recursos do FGTS pode ter condições mais favoráveis, já que as taxas são reguladas e não acompanham integralmente a Selic. Já no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), as taxas são livres e mais sensíveis ao cenário macroeconômico.
Outro fator relevante é o mercado de imóveis usados. Com juros altos, muitos optam por vender à vista ou com prazos mais curtos, o que pode reduzir a liquidez de imóveis de médio padrão. Por outro lado, os lançamentos imobiliários tendem a ser mais conservadores, com menor oferta de unidades de alto valor, conforme dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Para quem planeja comprar em 2026, a recomendação dos consultores é simular diferentes cenários de juros e considerar a possibilidade de amortizações extras sempre que a renda permitir. Além disso, vale acompanhar as sinalizações do Copom, que deve manter a Selic estável na maior parte do ano, salvo choques externos.
Em resumo, 2026 deve ser um ano de juros ainda altos para o financiamento imobiliário, mas com perspectiva de melhora gradual a partir de 2027. O comprador que conseguir negociar taxas competitivas e prazos alongados pode encontrar boas oportunidades, especialmente no segmento de imóveis econômicos, que contam com subsídios do programa Minha Casa, Minha Vida.


