Selic em 15%: quanto o Copom adicionou à sua parcela imobiliária em 2026
Alta de 1 ponto no último Copom elevou juros do crédito imobiliário para 12,7% a.a.; veja o impacto real na prestação de um financiamento de R$ 500 mil.

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic para 15% ao ano na reunião da última semana, o quarto aumento consecutivo em 2026. A decisão, influenciada pela pressão cambial e pelas expectativas de inflação acima do teto da meta, já tem efeito prático: o custo médio do crédito imobiliário com recursos livres saltou para 12,7% ao ano, segundo dados da Abrainc divulgados nesta terça-feira.
Para quem está financiando um imóvel de R$ 500 mil em 30 anos pela Tabela Price, cada ponto percentual de alta nos juros representa um acréscimo de aproximadamente R$ 350 na parcela inicial. Com a nova Selic, comparado a dezembro de 2025, quando o Banco Central iniciou o ciclo de aperto, o compromisso mensal subiu cerca de R$ 1.050 — um aumento de 23% na prestação.
O impacto é ainda mais severo para contratos atrelados à TR (Taxa Referencial), que voltaram a ser comuns nos últimos meses. A TR, que reflete a Selic, passou de 0,08% para 0,15% ao mês, elevando o saldo devedor de quem já paga financiamento — efeito conhecido como 'bola de neve'. Levantamento do Secovi-SP indica que 1 em cada 4 mutuários já renegociou prazos neste trimestre para diluir o aumento.
No mercado primário, as incorporadoras começam a repassar o custo financeiro aos preços. A FipeZap registrou alta de 1,8% no preço médio dos imóveis anunciados em agosto, puxada por São Paulo e Rio de Janeiro, com o metro quadrado alcançando R$ 10.450. Economistas do setor projetam mais um aumento de 0,75 ponto na próxima reunião do Copom, em outubro, o que manteria o crédito imobiliário em patamar restritivo até o fim do ano.
Para o comprador, a janela atual exige cautela: simular cenários com taxas acima das oferecidas pelos bancos é essencial para não comprometer o orçamento. Especialistas ouvidos pela reportagem recomendam, quando possível, aguardar o fim do ciclo de alta — previsto para o primeiro trimestre de 2027 — ou buscar alternativas como o financiamento com recursos do FGTS, que ainda oferecem taxas de até 9,5% ao ano para famílias de baixa renda.
Enquanto isso, o mercado de locação deve continuar aquecido, já que o custo de financiar supera em 35% o valor de um aluguel médio, segundo estudo do Banco Central divulgado nesta semana. Para quem está ponderando entre comprar ou alugar, a conta agora pende para o aluguel — ao menos até a poeira baixar no cenário macroeconômico.


