Selic em 14,75%: quanto sua parcela imobiliária sobe nesta semana
Novo Copom elevou juros pela 4ª vez seguida. Para quem financiou R$ 500 mil, parcela pode ficar R$ 1.200 mais cara em 12 meses; veja simulação

O Banco Central anunciou, na última quarta-feira (2/9), o quarto aumento consecutivo da Selic, elevando a taxa básica para 14,75% ao ano. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, veio com tom duro no comunicado, indicando que novos aumentos podem ocorrer até o fim do ano. Para quem está financiando um imóvel ou pretende entrar em um contrato agora, o impacto é imediato e mensurável: parcelas mais caras e um teto de financiamento menor.
Simulação feita pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) indica que, para um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos pela Tabela Price, cada ponto percentual de alta na Selic representa um acréscimo médio de R$ 312 na parcela inicial. Com a elevação acumulada de 1,5 ponto percentual desde junho, quem ainda não contratou pode perder até R$ 468 de capacidade de pagamento já na primeira mensalidade.
O efeito também aparece no valor máximo do imóvel financiável. Segundo cálculos do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), com renda familiar de R$ 10 mil, o teto de financiamento caiu de R$ 420 mil para R$ 402 mil em quatro meses. Ou seja, uma família que sonhava com um apartamento de R$ 450 mil precisa agora repensar a entrada ou buscar imóveis mais baratos.
No mercado secundário, a alta dos juros já se reflete nos preços. O Índice FipeZap de agosto, divulgado nesta semana, mostrou variação de apenas 0,18% nos preços de imóveis em 50 cidades, bem abaixo da inflação projetada para o período. Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, a valorização nominal desacelerou, e corretores relatam aumento de negociações com deságio de até 5% para venda à vista.
Apesar do cenário, especialistas ouvidos pela reportagem apontam que oportunidades surgem para quem tem recursos próprios. Com juros altos, investidores institucionais e fundos imobiliários reduzem o apetite por ativos de risco, e vendedores pessoa física ficam mais flexíveis em negociar prazos e condições. “Quem tem liquidez e não depende de crédito pode encontrar imóveis até 10% abaixo do valor de mercado”, avalia a analista da consultoria Brain Inteligência Estratégica.
Para os que dependem de financiamento, a recomendação é aguardar a reunião do Copom de novembro, quando, segundo a pesquisa Focus, há chance de interrupção do ciclo de alta. Enquanto isso, vale simular diferentes cenários e fixar a taxa no momento da contratação, caso a instituição ofereça essa opção. Outra alternativa é migrar para o financiamento com recursos do FGTS, que, apesar das regras mais rígidas, ainda apresenta taxas inferiores às de mercado.
O mercado imobiliário, historicamente sensível a juros, deve continuar acomodado no curto prazo. Mas a história mostra que quem compra em momentos de taxa elevada e consegue segurar o imóvel por pelo menos cinco anos tende a se beneficiar tanto da recuperação de preços quanto da queda das parcelas em períodos de afrouxamento monetário. Fique de olho nos próximos indicadores de inflação e na comunicação do Banco Central para tomar a decisão mais assertiva.


