Selic em 12,50%: crédito imobiliário desacelera e incorporadoras reavaliam estoques
A manutenção da Selic em 12,50% pelo Copom, anunciada na última quarta-feira, já impacta os financiamentos imobiliários. Volume de concessões caiu 8% na primeira quinzena de julho ante junho, segundo dados da Abrainc.

O mercado imobiliário brasileiro iniciou a semana sob o impacto da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que na quarta-feira passada manteve a taxa Selic em 12,50% ao ano. A sinalização de juros elevados por mais tempo reacendeu o alerta no setor de financiamento habitacional, que vinha mostrando sinais de recuperação no primeiro semestre.
Dados da Abrainc divulgados nesta segunda-feira (23) indicam que o volume de concessões de crédito imobiliário com recursos da poupança caiu 8% na primeira quinzena de julho em relação à média mensal de junho. O número reflete a cautela dos bancos, que elevaram os spreads médios em 0,3 ponto percentual desde o último Copom, segundo fontes do setor.
Para o economista-chefe do Secovi-SP, a piora nas condições de financiamento deve reduzir o ritmo de lançamentos no segundo semestre. "As incorporadoras estavam alongando estoques, mas agora reavaliam a velocidade de vendas. O crédito mais caro afeta principalmente o segmento de médio padrão, que depende mais de financiamento bancário", afirmou em nota.
A FipeZap registrou alta de apenas 0,2% nos preços dos imóveis na cidade de São Paulo na última semana, sinal de que a demanda arrefeceu. Em contrapartida, os aluguéis seguem pressionados, com variação acumulada de 7,8% no trimestre, impulsionados pela migração de compradores para o aluguel diante das taxas de jogo.
O Banco Central, em seu relatório Focus da última sexta-feira, elevou a projeção da Selic para o fim de 2026 de 11,75% para 12,25%, indicando que o aperto monetário pode se estender. Isso pressiona ainda mais o custo do crédito imobiliário, que já opera com taxas médias de 11,5% ao ano para financiamento de imóveis usados.
Na B3, as ações de incorporadoras listadas no índice Imobiliário (IMOB) caíram, em média, 1,5% no pregão de sexta-feira. Analistas do BTG Pactual recomendam cautela para o setor, apontando que o cenário de juros altos tende a comprimir margens e reduzir o volume de lançamentos nos próximos meses.
Para quem busca financiamento, a dica dos especialistas é negociar taxas com múltiplos bancos e considerar o uso do FGTS como entrada para reduzir o valor financiado. A Caixa Econômica Federal, maior agente do setor, mantém sua linha com taxas a partir de 9,99% ao ano para imóveis do Minha Casa, Minha Vida, mas exige análise de crédito mais rigorosa.
O mercado aguarda agora os dados oficiais de julho, que serão divulgados pelo Banco Central na primeira quinzena de agosto. Até lá, a tendência é de desaceleração nos financiamentos e ajuste de expectativas nas incorporadoras.


